terça-feira, 18 de outubro de 2011

A INTRODUÇÃO DA INFORMÁTICA NO AMBIENTE ESCOLAR


A INTRODUÇÃO DA INFORMÁTICA
NO AMBIENTE ESCOLAR
Prof. José Junio Lopes
 
josejunio@clubedoprofessor.com.br
josejunio@gmail.com
Resumo
Este artigo se baseia na experiência da introdução da Informática em uma escola de São Paulo. Nesse enfoque, trabalharei a introdução da Informática como um processo e a importância da intervenção do coordenador de Informática na reconstrução da prática pedagógica do professor no uso da Informática na educação. 
I - Introdução
A Informática vem adquirindo cada vez mais relevância no cenário educacional. Sua utilização como instrumento de aprendizagem e sua ação no meio social vem aumentando de forma rápida entre nós. Nesse sentido, a educação vem passando por mudanças estruturais e funcionais frente a essa nova tecnologia. 
Houve época em que era necessário justificar a introdução da Informática na escola. Hoje já existe consenso quanto à sua importância. Entretanto o que vem sendo questionado é da forma com que essa introdução vem ocorrendo.
Com esse artigo pretendo discutir alguns pontos, de suma importância, que possam gerar uma reflexão sobre a introdução da Informática na escola, como: o ser humano e a tecnologia, Informática x currículo, o processo de introdução da Informática, a função do coordenador de Informática.

II - O Ser humano e a Tecnologia

Segundo FRÓES : “A tecnologia sempre afetou o homem: das primeiras ferramentas, por vezes consideradas como extensões do corpo, à máquina a vapor, que mudou hábitos e instituições, ao computador que trouxe novas e profundas mudanças sociais e culturais, a tecnologia nos ajuda, nos completa, nos amplia.... Facilitando nossas ações, nos transportando, ou mesmo nos substituindo em determinadas tarefas, os recursos tecnológicos ora nos fascinam, ora nos assustam...”
A Tecnologia não causa mudanças apenas no que fazemos, mas também em nosso comportamento, na forma como elaboramos conhecimentos e no nosso relacionamento com o mundo. Vivemos num mundo tecnológico, estruturamos nossa ação através da tecnologia, como relataKERCKHOVE , naPele da Cultura “os media eletrônicos são extensões do sistema nervoso, do corpo e também da psicologia humana”.
De acordo com (FRÓES) “Os recursos atuais da tecnologia, os novos meios digitais: a multimídia, a Internet, a telemática trazem novas formas de ler, de escrever e, portanto, de pensar e agir. O simples uso de um editor de textos mostra como alguém pode registrar seu pensamento de forma distinta daquela do texto manuscrito ou mesmo datilografado, provocando no indivíduo uma forma diferente de ler e interpretar o que escreve, forma esta que se associa, ora como causa, ora como conseqüência, a um pensar diferente.”
BORBA(2001) vai um pouco mais além, quando coloca “seres-humanos-com-mídias” dizendo que “ os seres humanos são constituídospor técnicas que estendem e modificam o seu raciocínio e, ao mesmo tempo, esses mesmos seres humanos estão constantemente transformando essas técnicas.” ( p.46)
Dessa mesma forma devemos entender a Informática. Ela não é uma ferramenta neutra que usamos simplesmente para apresentar um conteúdo. Quando a usamos, estamos sendo modificados por ela.

III - Informática x Currículo

O principal objetivo, defendido hoje, ao adaptar a Informática ao currículo escolar, está na utilização do computador como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados, além da função de preparar os alunos para uma sociedade informatizada.
Entretanto esse assunto é polêmico. No começo, quando as escolas começaram a introduzir a Informática no ensino, percebeu-se, pela pouca experiência com essa tecnologia, um processo um pouco caótico. Muitas escolas introduziram em seu currículo o ensino da Informática com o pretexto da modernidade. Mas o que fazer nessa aula? E quem poderia dar essas aulas? A princípio, contrataram técnicos que tinham como missão ensinar Informática. No entanto, eram aulas descontextualizadas, com quase nenhum vínculo com as disciplinas, cujos objetivos principais eram o contato com a nova tecnologia e oferecer a formação tecnológica necessária para o futuro profissional na sociedade. 
Com o passar do tempo, algumas escolas, percebendo o potencial dessa ferramenta introduziram a Informática educativa, que, além de promover o contato com o computador, tinha como objetivo a utilização dessa ferramenta como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados.
Entretanto esse apoio continuava vinculado a uma disciplina de Informática, que tinha a função de oferecer os recursos necessários para que os alunos apresentassem o conteúdo de outras disciplinas.
Vivemos em um mundo tecnológico, onde a Informática é uma das peças principais. Conceber a Informática como apenas uma ferramenta é ignorar sua atuação em nossas vidas. E o que se percebe?! Percebe-se que a maioria das escolas ignora essa tendência tecnológica, do qual fazemos parte; e em vez de levarem a Informática para toda a escola, colocam-na circunscrita em uma sala, presa em um horário fixo e sob a responsabilidade de um único professor. Cerceiam assim, todo o processo de desenvolvimento da escola como um todo e perdem a oportunidade de fortalecer o processo pedagógico.
A globalização impõe exigência de um conhecimento holístico da realidade. E quando colocamos a Informática como disciplina, fragmentamos o conhecimento e delimitamos fronteiras, tanto de conteúdo como de prática. Segundo: GALLO- (1994) “A organização curricular das disciplinas coloca-as como realidades estanques, sem interconexão alguma, dificultando para os alunos a compreensão do conhecimento como um todo integrado, a construção de uma cosmovisão abrangente que lhes permita uma percepção totalizante da realidade.”
Dentro do contexto, qual seria a função da Informática? Não seria de promover a interdisciplinaridade ou, até mesmo, a transdisciplinaridade na escola?!

IV - Informática e Aprendizagem

JONASSEN (1996) classifica a aprendizagem em:
Aprender a partir da tecnologia (learning from), em que a tecnologia apresenta o conhecimento, e o papel do aluno é receber esse conhecimento, como se ele fosse apresentado pelo próprio professor;
Aprender acerca da tecnologia (learning about), em que a própria tecnologia é objeto de aprendizagem;
Aprender através da tecnologia (learning by), em que o aluno aprende ensinando o computador (programando o computador através de linguagens como BASIC ou o LOGO);
Aprender com a tecnologia (learning with), em que o aluno aprende usando as tecnologias como ferramentas que o apóiam no processo de reflexão e de construção do conhecimento (ferramentas cognitivas). Nesse caso a questão determinante não é a tecnologia em si mesma, mas a forma de encarar essa mesma tecnologia, usando-a sobretudo, como estratégia cognitiva de aprendizagem.
( MARÇAL FLORES - 1996) “A Informática deve habilitar e dar oportunidade ao aluno de adquirir novos conhecimentos, facilitar o processo ensino/aprendizagem, enfim ser um complemento de conteúdos curriculares visando o desenvolvimento integral do indivíduo.”
“As profundas e rápidas transformações, em curso no mundo contemporâneo, estão exigindo dos profissionais que atuam na escola, de um modo geral, uma revisão de suas formas de atuação.” SANTOS VIEIRA
De acordo com LEVY (1994), " novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das comunicações e da Informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação e aprendizagem são capturados por uma Informática cada vez mais avançada.
Para finalizar, BORBA (- 2001) que: “O acesso à Informática deve ser visto como um direito e, portanto, nas escolas públicas e particulares o estudante deve poder usufruir de uma educação que no momento atual inclua, no mínimo, uma‘alfabetização tecnológica’ . Tal alfabetização deve ser vista não como um curso de Informática, mas, sim, como um aprender a ler essa nova mídia. Assim, o computador deve estar inserido em atividades essenciais, tais como aprender a ler, escrever, compreender textos, entender gráficos, contar, desenvolver noções espaciais etc. E , nesse sentido, a Informática na escola passa a ser parte da resposta a questões ligadas à cidadania.”

V - Os Professores e a Informática

Diante dessa nova situação, é importante que o professor possa refletir sobre essa nova realidade, repensar sua prática e construir novas formas de ação que permitam não só lidar, com essa nova realidade, com também construí-la. Para que isso ocorra! O professor tem que ir para o laboratório de informática dar sua aula e não deixar uma terceira pessoa fazer isso por ele. 
GOUVÊA “O professor será mais importante do que nunca, pois ele precisa se apropriar dessa tecnologia e introduzi-la na sala de aula, no seu dia-a-dia, da mesma forma que um professor, que um dia, introduziu o primeiro livro numa escola e teve de começar a lidar de modo diferente com o conhecimento – sem deixar as outras tecnologias de comunicação de lado. Continuaremos a ensinar e a aprender pela palavra, pelo gesto, pela emoção, pela afetividade, pelos textos lidos e escritos, pela televisão, mas agora também pelo computador, pela informação em tempo real, pela tela em camadas, em janelas que vão se aprofundando às nossas vistas...”
Más, para o professor apropriar-se dessa tecnologia, devemos segundo FRÓES “mobilizar o corpo docente da escola a se preparar para o uso do Laboratório de Informática na sua prática diária de ensino-aprendizagem. Não se trata, portanto, de fazer do professor um especialista em Informática, mas de criar condições para que se aproprie, dentro do processo de construção de sua competência, da utilização gradativa dos referidos recursos informatizados: somente uma tal apropriação da utilização da tecnologia pelos educadores poderá gerar novas possibilidades de sua utilização educacional.”
Se um dos objetivos do uso do computador no ensino for o de ser um agente transformador, o professor deve ser capacitado para assumir o papel de facilitador da construção do conhecimento pelo aluno e não um mero transmissor de informações. 
Mas o professor deve ser constantemente estimulado a modificar sua ação pedagógica. Aí entra a figura do coordenador de Informática, que está constantemente sugerindo, incentivando e mobilizando o professor. Não basta haver um laboratório equipado e software à disposição do professor; precisa haver o facilitador que gerencie o processo o pedagógico.

VI - Os momentos do processo 

Vamos observar o processo de introdução da Informática no ambiente escolar através de vários momentos.Muitos devem estar pensando que é pretensão minha dividir esse processo em momentos. Mas o que estou tentando é pontuar alguns desses momentos; além do mais, penso que seja necessária essa visão, para podermos ter a idéia de processo que nos oriente nessa trajetória.
Nesse processo podemos destacar quatro momentos, que apresentam características bem definidas. Não existe, aqui, o objetivo de delimitar cada momento, pois nós, professores, podemos vivenciar características de vários momentos, apesar de sempre um predominar. 
Sabemos que, nos dias de hoje, qualquer pessoa deveria, no mínimo, saber manipular um micro; infelizmente essa não é nossa realidade. Os professores atuais estudaram em uma época em que a Informática não fazia parte do dia-a-dia, e, dentre os professores que estamos formando para o futuro, pouco estão sendo preparados para mudar essa realidade.
Ao introduzir-se a Informática educativa, percebe-se um primeiro momento, no qual o professor reproduz sua aula na sala de Informática. É o momento durante o qual a preocupação central é observar a ferramenta. 
Esse momento é muito importante e não se deve forçar o professor a uma mudança de atitude diante da potencialidade expressa pelo computador. É o momento do contato, de domínio, em que ele precisa estar seguro diante introdução da Informática. Segundo PENTEADO (2000) : “ Professores devem ser parceiros na concepçãoe condução das atividades com TI ( TecnologiasInformáticas) e não meros espectadores e executores de tarefas.” O importante é que o professor se sinta como uma peça participativa do processo e que a aula continua sendo dele, apesar de ser preparada, na sua forma, por um instrumento estranho ou por outra pessoa. Nesse momento ele observa a Informática como um novo instrumento, um giz diferente! E usa, com mais freqüência, os softwares educacionais existentes na praça.
A mudança ocorre, quando o professor perceber que pode fazer mais do que está acostumado; é o momento em que ele começa a refletir sua prática e percebe o potencial da ferramenta. Nesse momento o professor está vulnerável as mudanças. Ele vai da defesa para a descoberta. É o momento propício para o coordenador de Informática sugerir modificação na sua prática pedagógica. 
Nesse segundo momento, as mudanças ocorrem mais na forma de trabalhar a aula. Agora existe uma preocupação de explorar a ferramenta, para ajudar no processo de aprendizagem. É nesse momento que surgem os softwares de autoria, os simuladores e os projetos dos alunos, mas o professor ainda não consegue transcender sua aula. A preocupação se dá ainda com o conteúdo da sua disciplina. Mas, agora, aparece um novo elemento: o descobrir leva a um desafio constante, que leva a sua preocupação para o processo de aprendizagem.
O terceiro momento é marcado pela preocupação com o processo de aprendizagem e pela interdisciplinaridade, existe uma busca de alternativas para tentar reorganizar o saber, dando chance ao aluno de ter uma educação integral.
Entretanto é o momento em que o professor precisa de um apoio da coordenação ou, até mesmo, da direção. É o momento em que necessita de um projeto pedagógico da Escola, a fim de trabalharem juntos.
Diz Ivani Catarina Arantes FAZENDA: “A atitude interdisciplinar não está na junção de conteúdos, nem na junção de métodos; muito menos na junção de disciplinas, nem na criação de novos conteúdos produtos dessas funções; a atitude interdisciplinar está contida nas pessoas que pensam o projeto educativo. Qualquer disciplina, e não especificamente a didática ou estágio, pode ser a articuladora de um novo fazer e de um novo pensar a formação de educador.” (FAZENDA, 1993:64)
É o momento em que o professor passa a usar outras tecnologias, mas, apesar de seu olhar para fora da escola, ainda continua preso a ela. Os softwares de autoria são muito trabalhados, como também a Internet.Porem, ainda do ponto de vista informativo, participa de alguns projetos colaborativos; entretanto busca trabalhar o conteúdo escolar.
HEINECKpropõe: “Os educadores têm que ser capazes de articular os conhecimentos para que o todo comece a ser organizado, e assim inicie-se a superação da disciplinarização, do saber imposto e distante da realidade vivida pelo educando. Uma prática interdisciplinar, certamente contribuirá para o forjamento de cidadãos conscientes de seus deveres e capazes de lutarem por seus direitos com dignidade.” 
O quarto momento é marcado pela transcendência além dos muros da escola, escola-bairro, escola-cidade, escola-escola e escola-mundo. É o momento da troca, da comunicação e participação comunitária. É o momento da aprendizagem cooperativa. A preocupação é o processo de aprendizagem, mas voltado para uma interação social. O conteúdo é trabalhado dentro de um contexto, a ênfase é dada à coletividade; a participação política e social , à cidadania. 
Como diz LEVY, a construção do conhecimento passa a ser igualmente atribuída aos grupos que interagem no espaço do saber. Ninguém tem a posse do saber,as pessoas sempre sabem algo, o que as tornam importante quando juntas, de forma a fazer uma inteligência coletiva. "É uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências." (LÉVY, 1998, p. 28)
O interessante seria que a escola, como um todo, passasse por esses momentos, todaviao que se percebe hoje é que a maioria das escolas estão no segundo momento. Talvez porfalta de um projeto pedagógico, do apoio de uma pessoa que exerça a função de um coordenador de Informática, ou melhor, de uma vontade política!

VII - O Coordenador do Laboratório de Informática

Como vimos acima, para introduzir a Informática na escola, não basta ter um laboratório equipado, professores treinados e um projeto pedagógico. A experiência mostra que sem a figura do coordenador de Informática o processo “emperra”. Mas quem é esta pessoa? E por que ela é tão importante?
Peça principal do processo, ele não deve ter apenas uma formação técnica. Muitas escolas contratam técnicos pelo seu baixo custo. Esse profissional deve ter uma formação pedagógica, uma experiência de sala de aula. Não necessita ser um pedagogo, mas que tenha um envolvimento com o processo pedagógico. Deve ser capaz de fazer uma ponte entre o potencial da ferramenta (software educativos) com os conceitos a serem desenvolvidos.
O coordenador não é apenas um facilitador, mas o coordenador do processo, ele deve perceber que o momento de mudar de etapas e de propiciar recurso necessários paraimpulsionaras engrenagens do processo, como por exemplo: a formação de professores e recursos necessários, como softwares.
O coordenador de Informática dever estar atento e envolvido com o planejamento curricular de todas as disciplinas, para poder sugerir atividades pedagógicas, envolvendo a Informática. Entretanto, sem apoio da coordenação ou da direção, não terá força para executar os projetos sugeridos. 
Em resumo, o coordenador de Informática deve:
·ter uma visão abrangente dos conteúdos disciplinares e estaratento aos projetos pedagógicos das diversas áreas, verificando sua contribuição;
·conhecer o projeto pedagógico da escola;
·ter uma experiência de sala de aula e conhecimento de várias abordagens de aprendizagem;
·ter a visão geral do processo e estar receptível para as devidas interferências nele;
·perceber as dificuldades e o potencial do professores, para poder instiga-los e ajuda-los;
·mostrar para o professor que o Laboratório de Informática deve ser extensão de sua sala de aula e esta deve ser dada por ele enão por uma terceira pessoa;
·pesquisar e analisar os softwares educativos;
·ter uma visão técnica, conhecer os equipamentos e se manter informado sobre as novas atualizações 
·estar constantemente receptível a situações sociais que possam ocorrer .

 

VIII - A Internet na escola

O uso da Internet nas escolas está delimitado, em sua maioria na pesquisa de informação. As pessoas esquecem que o grande potencial da Internet é a comunicação. Entretanto, dentro de nossa visão de processo, isso é admissível. Em um primeiro momento, usamos a Internet como ferramentae sua característica mais marcante que é o acesso à informação.
Após um processo de maturação, percebemos que a Internet é mais que isso: passamos a usá-la como uma rede comunicação. Passamos a participar de projetos e eventos colaborativos mundiais, a participar de Listas de Discussão no qual debatemos e trocamos experiências ea usa-la com ferramenta de expressão política e social.

IX - Conclusão

A Informática educacional, como podemos notar, deve fazer parte do projeto político pedagógico da escola, projeto esse que define todas as pretensões da escola em sua proposta educacional.
Podemos, agora, tirar algumas conclusões importantes sobre a introdução da Informática na escola .Ela ocorre:
·dentro de um processo, com alguns momentos definidos;
·quando existe a figura do coordenador de informática que articula e gerencia o processo, de modo a buscar os recursos necessários e mobilizar os professores. 
·quando essa introdução está engajada num projeto pedagógico, com o apoio da direção que oferece os recursos necessários.

 

Referências Bibliográficas

BORBA, Marcelo C. e PENTEADO, Miriam Godoy - Informática e Educação Matemática - coleção tendências em Educação Matemática - Autêntica, Belo Horizonte - 2001
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. São Paulo: Loyola, 1993.
FLORES, Angelita Marçal - A Informática na Educação: Uma Perspectiva Pedagógica – monografia- Universidade do Sul de Santa Catarina 1996 - http://www.hipernet.ufsc.br/foruns/aprender/docs/monogr.htm (nov/2002)
FRÓES,Jorge R. M.Educação e Informática: A Relação Homem/Máquina e a Questão da Cognição - http://www.proinfo.gov.br/biblioteca/textos/txtie4doc.pdf
GALLO, Sílvio (1994). Educação e Interdisciplinaridade; Impulso, vol. 7, nº 16. Piracicaba: Ed. Unimep, p. 157-163.
GOUVÊA, Sylvia Figueiredo-Os caminhos do professor na Era da Tecnologia - Acesso Revista de Educação e Informática, Ano 9 - número 13 - abril 1999.
HEINECK, Dulce Teresinha - A Interdisciplinaridade no processo ensino-aprendizagem - http://www.unescnet.br/pedagogia/direito9.htm ( nov/2002)
JONASSEN, D. (1996), "Using Mindtools to Develop Critical Thinking and Foster Collaborationin Schools - Columbus
KERCKHOVE, D.A Pele da Cultura. Lisboa: Relógio d’Água, 1997.
LÉVY, Pierre - A inteligência Coletiva - por uma antropologia do ciberespaço - Edições Loyola, São Paulo , 1998.
LÉVY, Pierre.- As Tecnologias da Inteligência. Editora 34, Nova Fronteira, RJ, 1994.
MARÇAL FLORES, Angelita -monografia: A Informática na Educação: Uma Perspectiva Pedagógica.  Universidade do Sul de Santa Catarina - 1996 http://www.hipernet.ufsc.br/foruns/aprender/docs/monogr.htm
PENTEADO, Miriam - BORBA, Marcelo C. - A Informática em ação - Formação de professores , pesquisa e extensão - Editora Olho d´Água, 2000 , p 29.
SANTOS VIEIRA , Fábia Magali - Gerência da Informática Educativa: segundo um pensamento sistêmico - http://www.connect.com.br/~ntemg7/gerinfo.htm (nov/2002)
VALENTE, José Armando. "Informática na educação: a prática e a formação do professor". In: Anais do IX ENDIPE (Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino), Águas de Lindóia,1998p. 1-1

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Outro Artigo : O Processo de Implantação de um Ambiente de Aprendizagem Virtual no Ensino Superior - 2006
 

domingo, 18 de setembro de 2011

E agora, Mestre Giz?

Há duas décadas atrás, lá pelo final da década de 80, Mestre Giz reinava na escola e era a última palavra depois do livro didático. Tinha um enorme orgulho, aliás, de conhecer o livro didático, seu mestre, de cabo a rabo. Suas aulas eram impecáveis e se você perdesse uma delas na sexta série A, poderia assistir a mesma aula na sexta série B, pois Mestre Giz tinha uma aula tão “redondinha” que até as piadinhas eram perfeitamente encaixadas no contexto da aula. Absolutamente tudo sem imprevistos e nem improvisos.


Como que por mágica, Mestre Giz deu uma cochilada numa bela e preguiçosa tarde, logo depois do almoço, e viu-se transportado no tempo para uma década adiante, lá pelo final dos anos 90, na virada para 2000. Acordou babado e meio assustado com o que viu: uma sala cheia de computadores, com uma Internet meio capenga e dezenas de cadeados por todos os lugares possíveis. Era a escola tecnológica chegando.

Mestre Giz logo desconfiou daquela parafernália toda e concordou de imediato com a gestão da escola de que era preciso colocar muitos cadeados nas portas e impedir os mortais comuns de mexerem naquelas coisas, evitando assim quebrá-las. Também concordou que seria preciso muito treinamento, formação e projetos inovadores nos próximos anos para que se pudessem usar aquelas coisas e, acima de tudo, era preciso saber para que se usariam aquelas coisas. Se era para ensinar, ele não precisava, pois já sabia fazer isso.

Dias, semanas, meses e anos se passaram e os alunos revoltosos continuavam querendo usar aquelas maquininhas. Mas para quê? Mestre Giz até foi obrigado a fazer um curso sobre como usar um tal de Word e outro Excel, mas já havia esquecido tudo e, além disso, ele não precisava realmente daquilo. Alguns colegas, até mais velhos do que ele, já tinham computadores em sua casa e os usavam, até para “surfar” na Internet, e ele mesmo já havia comprado um para sua filha, mas na escola as coisas eram diferentes porque faltava alguma coisa a mais para poder usar os computadores: faltava um motivo!

Certa vez um professor metido a diferente levou a classe até a Sala de Informática, mas quebrou a cara porque os computadores estavam muito velhos e desatualizados e a Internet nem funcionava em alguns computadores. Além disso, os alunos usavam as Lan Houses do bairro e dispunham de máquinas muito melhores em suas próprias casas. Mestre Giz não pôde esconder um certo sorriso de satisfação ao ver comprovada a sua tese de que aquelas maquininhas eram mesmo inúteis na escola.

Como o tempo é o grande carrasco das verdades absolutas, um dia aquele professor teimoso, de tanto teimar, conseguiu fazer algo dar certo na Sala de Informática. Não foi nada de muito sofisticado, apenas uma pesquisa rápida na Internet e um texto, digitado naquele tal de Word. Pura perda de tempo, concluiu logo Mestre Giz. A cena se repetiu outras vezes e até mesmo com outros professores, mas a grande pergunta de Mestre Giz continuava sem resposta: e para que EU preciso disso?

Hoje cedo Mestre Giz levantou da cama pelo mesmo lado que sempre levanta, pisou com o pé direito primeiro, como sempre, e tomou seu café com leite e pão com manteiga antes de ir para a escola. Escola que, aliás, parece cada dia pior. Os alunos já não têm mais tanto respeito como antes e nem demonstram muito interesse pelas suas aulas que, à propósito, continuam “redondinhas” como há duas décadas! “Azar o deles”, sentencia Mestre Giz.

Alguns colegas professores andam com notebooks ao invés de cadernos, e usam um tal de data-show de vez em quando, ao invés do projetor de slides. Parece que é melhor, mas dá muito trabalho fazer alguma coisa no computador para depois ter que usar o notebook da escola e o data-show e, além disso, não há ninguém na escola para fazer toda essa montagem para os professores. Os professores têm que, eles mesmos, colocarem as imagens no computador e ligar tudo no data-show. Assim fica muito difícil, conclui para si mesmo Mestre Giz, com um certo ar de espanto com aqueles professores que conseguem fazer essas coisas sozinhos e sem cursos ou formações especiais.

Na hora do intervalo, Mestre Giz fez as contas para sua aposentadoria e descobriu que agora falta pouco. Ainda bem, pensou ele, afinal a escola mudou muito e está cada dia mais difícil ensinar. Ele tem pena desses professores mais novos que são obrigados a usarem computadores, Internet, data-show, DVD e outras porcarias para poderem ensinar suas disciplinas. Ele nunca precisou de nada disso. É pena também que os alunos não saibam dar o merecido valor às suas aulas e não entendam que ele já sabe tudo o que os alunos precisam saber. É pena que a juventude ache que pode escolher o que aprender só porque tem uma tal de Internet e que passem tanto tempo nos computadores ao invés de estarem mergulhados nos livros.

Quando estava saindo para o almoço uma aluna lhe perguntou se não podia entregar em um CDROM a pesquisa que ele passou como tarefa, ou mandar por e-mail. É claro que ele respondeu que não. E como esses alunos estão a cada dia mais atrevidos, a garota lhe perguntou com a maior inocência “porque não?”.

Sacando como sempre de sua arma mais poderosa, a razão, Mestre Giz disparou na aluna o mesmo petardo que vem disparando há duas décadas em todos aqueles que lhes questionam o porquê dele simplesmente se negar a usar as novas tecnologias na educação: “Ora, minha cara, eu não preciso de nada disso para lhe ensinar minha matéria”. Mas, desta vez, ao invés do silêncio que costuma receber em resposta, a garota, atrevida que é, parece que resolveu retrucar com algo que até então Mestre Giz ainda não havia compreendido muito bem: “Eu sei que VOCÊ não precisa, professor, mas EU preciso e PRECISAREI A VIDA TODA. Porque não posso usar então?”.

E agora, Mestre Giz?

(*) Este texto é uma fábula. Ele é totalmente fictício. Mestre Giz, ou professores que acreditam que não precisam usar as novas tecnologias na escola porque são capazes de ensinar sem elas, e que desconhecem a necessidade que os alunos têm de aprender com elas, são personagens inexistentes na vida real. Qualquer semelhança entre os personagens dessa fábula e a realidade cotidiana de uma escola é mero fruto da sua própria imaginação.

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. E agora, Mestre Giz?, Professor Digital, SBO, 18 set. 2009. Disponível em: . Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Blog


UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
UESB - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
CURSO - MÍDIAS NA EDUCAÇÃO – AVANÇADO
GRUPO - CAETANO VELOSO
KELLY CHRYSTINE GUEDES LEVY
Blog
O blog faz parte do potencial que as TIC`s dispõem para ser trabalho nos laboratórios de informática disponibilizados pelo governo federal na maioria das unidades escolares.
O alunado não aprende só na escola. Lévy (1993):

Reflete que a cinco mil anos a escola está centrada no mestre, onde só ele fala e dita o conhecimento, e diante da era do conhecimento a difusão não é mais a principal função do professor, pois os equipamentos são mais eficazes nesta tarefa.

 “Estamos, inconscientemente, chegando à civilização planetária." (Dámbrosio, 2000), pelo uso de computadores que nos interliga a todo o momento. O virtual e o real de existência paralela, “o virtual existe em potência, e não em ato. No entanto, o real e o virtual não se opõem, eles são apenas, duas maneiras diferentes de se ter e ver a realidade (Lévy; 2000)
O trabalho pedagógico integrado as hiper-possibilidades que a telemática nos oferta, não só dinamiza o processo de apreensão e busca do conhecimento, como também, fortalece competências, que para Perrenoud "Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.), para solucionar uma série de situações".
Ter um laboratório de informática na escola não garante mudanças na educação, a diferença só ocorrerá quando o educador abordar de forma diferenciada o potencial que o mesmo permitirá auxiliar o processo ensino-aprendizagem.
O Blog é um mecanismo sem custo para escola que beneficia o educandos e o educador, permitindo que o processo ensino-aprendizagem seja dinâmico e pró ativo. Podendo expor ações realizadas na escola, assim, como discussão sobre determinados temas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DAMBRÓSIO, 2000, Salto para o Futuro, Série Tecnologia e Currículo
LÉVY, Pierri. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2000. 212 p.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

ARQUIVO PESSOAL - SINTESE DO TEXTO: AS CONSEQUENCIAS DA MODERNIDADE

GIDDENS, Anthony. As dimensões institucionais da Modernidade, in:As conseqüências da modernidade. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1991.


Para compreender a sintese do capitulo 2 intitulado: As dimensões institucionais da Modernidade contido no livro : As conseqüências da modernidade; faz necessário identificar o autor:

Anthony Giddens é um dos sociólogos mais profícuos da atualidade, quer seja pela qualidade e temática de sua obra, quer seja por suas convicções políticas. Nasceu no dia 18 de janeiro de 1938 em Londres. Sociólogo britânico, renomado por sua Teoria da estruturação.Do ponto de vista acadêmico, o seu interesse centra-se em reformular a teoria social e reexaminar a compreensão do desenvolvimento e da modernidade.

Foi Director da: London School of Economics and Political Science (LSE) entre 1997 e 2003. Anteriormente foi professor de Sociologia em Cambridge. Muitos livros foram publicados sobre este autor e a sua obra. Foram-lhe concedidos diversos títulos honoríficos. Foi co-fundador, em 1985, de uma editora de livros científicos, a Polity Press. Giddens trabalhou como assessor do ex-Primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Anthony Giddens situa o leitor na questão relacionada às instituições modernas se são capitalistas ou industriais? Partindo da definição e caracterização dos eixos citados o que conduz a um entendimento das dimensões institucionais da modernidade e da globalização.

O autor desenvolve uma incurssão para o esclarecimento do problema proposto identificando que a grande arma do capitalismo é a vigilância. Giddens se aventura em terreno pantanoso: o militarismo é quase sempre objeto de estudo de liberais, quase nunca de marxistas.

Metódico, o sociólogo inglês começa por desmontar as teorias sociais evolucionistas, que permeiam tanto os trabalhos de Marx como os do positivista Augusto Comte, demolindo a falácia eurocêntrica de que as sociedades ocidentais sejam o topo de uma escala darwiniana de desenvolvimento. Optando por uma visão descontinuísta da história - aqui refinando a visão marxista. E segue buscando nos primórdios do Estado absolutista a concentração de poder administrativo que permitiria o estabelecimento tanto do capitalismo como do industrialismo. Que possibilita a manipulação de informações de acordo com a ideologia da classe dominante, através da proposta curricular da escola e por seguinte estimulando a passividade dos aprendentes e perpetuando o sistema de classes vigentes.

Conceitua o capitalismo como “sistema de produção de mercadorias, centrado sobre a relação entre a propriedade privada do capital e o trabalho assalariado sem posse de propriedade”, e das características inerentes ao industrialismo com “uso de fontes inanimadas de energia material na produção de bens, combinado ao papel central da maquinaria no processo da produção capitalismo”.

Reconhece as sociedades capitalistas como subtipo das sociedades modernas tendo como características: competitividade, expansionismo, economia insulada, transformação do trabalho assalariado em mercadoria, autonomia do estado, controle por meio da violência
Identifica as quatro dimensões básicas da modernidade e sua inter-relações.

MODERNIDADE

Dimensões institucionais
Vigilância
Capitalismo Poder militar
Industrialismo

Segundo Giddens “ a globalização é a intensificação das relações sociais em escala mundial e que esse termo pode ser explicado pelas perscpectivas teoricas : literatura das relações internacionais e a teoria do sistema mundial.

Há uma interdependência cada vez maior entre o espaço global e o local. O global tem influência sobre as vidas individuais nos espaços locais; mas também as decisões dos indivíduos em seu cotidiano podem influenciar sobre os resultados globais. Esta inter-influência incide sobre as coletividades e grupos de todos os tipos, incluindo o Estado. Todos têm que levar em consideração essa realidade, o que pressupõe repensar os papéis, sua reorganização e reformulação. Portanto, a globalização amplia tanto as oportunidades quanto as incertezas e os perigos.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anthony_Giddens. Acesso 4/08/08



ARQUIVO PESSOAL - RESENHA CRITICA

BRANDÃO, Zaia(org). A crise dos paradigmas e a educação – 8 ed – São Paulo. Cortez,2002. P.104.

                                                  *Kelly Chrystine Guedes Levy


A autora Rosaly Hermengarda Lima Brandão é uma referência para os profissionais de educação no Brasil. Conhecida no meio acadêmico como Zaia Brandão. Professora universitária, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Rio e ganhadora do Prêmio "Cientistas do Nosso Estado" de 2002.

Zaia Brandão também é pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) e ao longo de sua carreira publicou vários títulos, entre eles: A crise dos paradigmas e a educação (Cortez Editora) e Democratização do Ensino: meta ou mito? (Francisco Alves).

Brandão, como organizadora desta obra apresenta textos que serviram de base para o debate ocorrido durante o Seminário A crise dos paradigmas e a educação, que permitiu discussões de especialistas da área de Ciências Humanas e Sociais e profissionais da Educação. Que trocaram posicionamentos sobre a quebra do paradigma e suas conseqüências no campo da educação e da construção do conhecimento.

Na apresentação Zaia Brandão, faz algumas reflexões sobre as tarefas da Educação como produtora de conhecimento e orientação para as populações, nesta fase de crise, transição, metamorfose. Oriunda da era do conhecimento que teve como ponto chave a nova organização social fruto do desenvolvimento da tecnologia da informática e da cibernética, que promove a necessidade de mudanças no paradigma-instrumento e uma nova arrumação do paradigma produto de forma mais integrada e complementar, com "pontes" para a circulação interdisciplinar (e não com trincheiras para impedir o acesso). Mas será possível escapar ao condicionamento da cultura fragmentária e comercial, pregada diariamente do alto das torres de televisão, mantida pelas supervigilantes redes informatizadas dos banqueiros, multinacionais e patrulhada pelos serviços secretos de informação dos Estados?

A obra é composta pela síntese de diferentes abordagens, através de diversos autores. O primeiro é Danilo Marcondes no qual aborda a crise de paradigmas e o surgimento da modernidade, situa o leitor em relação a paradigma do ponto de vista com acepção clássica e do contemporâneo, realizando uma incursão pela história da ciência visando um maior esclarecimento do assunto abordado.

“De acordo a Platão, “ um paradigma é um tipo exemplar que se encontra em um mundo abstrato e do qual existem instâncias, como cópias imperfeitas , em nosso mundo concreto.” Na definição de Thomas Kuhn em sua obra A Estrutura Estrutura das Revoluções Científicas entende “ que paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade cientifica compartilham” Em ambas concepções tem um caráter exemplar a função normativa.

Portanto a crise de um paradigma é a insatisfação com o modelo estabelecido e uma mudança conceitual da visão de mundo. Quando as mesmas são radicais são fruto de revoluções cientificas. Que para Kuhn são proeminentes de causas internas ou externas, sendo a primeira fruto do desenvolvimento teórico e metodológico dentro de uma mesma teoria. As causas externas são mudanças da sociedade e da cultura em determinada época.

O segundo texto foi elaborado por Carlos Alberto Plastino e intitulado A crise dos paradigmas e a crise do conceito paradigma

É um livro a nível epistemológico, de crítica e discussão da construção do conhecimento, seus métodos, seu condicionamento histórico e geográfico e

suas aplicações na organização do ecossistema planetário. Porém pouco é mostrado sobre os esaforços que estão fazendo para a superação dessa crise. Vale ressaltar que a UNESCO desde 1987, no encontro de Veneza, vem estimulando não só a integração interdisciplinar, mas também a transdisciplinar; não só entre as formas de conhecimento e de orientação dadas pelas disciplinas acadêmicas, mas também pelas tradições espirituais de cunho místico, bem como da arte (exemplos disso são: Fritjoff Capra, David Bohm e Krishnamurti etc.). O livro não menciona um seminário similar dirigido por Cremilda Medina, com os resultados publicados pela ECA/USP: Novo Pacto da Ciência - A Crise dos Paradigmas (1990-1991), do qual já saiu o segundo volume, e está previsto o terceiro e último. Não analisou, sequer citou na bibliografia, as experiências e publicações da Universidade Holística Internacional (Brasília), dirigida por Pierre Weil, e as experiências e publicações da Cibernética Social, que são contribuições brasileiras

A busca de uma nova identidade da Educação vem possibilitando um novo olhar através de questionamento da receita cartesiana, com disciplinas excludentes que possibilita mais a exclusão de que a inclusão do cidadão diante da era da informática, mesmo que concretizada como ciência independente, autossuficiente, cotidianizada no currículo por disciplinas cartesianas que pouco têm a ver com a vida, tornando a sala de aula um local distante da realidade do educando. A obra tem grande mérito de alimentar o debate e instigar a busca e a criação de alternativas para a crise.


*Tutora do Curso de Licenciatura em Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FTC - EaD); Coordenadora do Município de Rio Real/BA e Professora de Matemática do Estado da Bahia. Pós graduada em: Gestão Educacional (FTC Faculdade de Ciências e Tecnologia); Psicopedagogia Escolar(Faculdade Montenegro); Educação de Jovens e Adultos ( UNEB – Universidade do Estado da Bahia). Graduada em Pedagogia (UFBA – Universidade Federal da Bahia)




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