domingo, 18 de setembro de 2011

E agora, Mestre Giz?

Há duas décadas atrás, lá pelo final da década de 80, Mestre Giz reinava na escola e era a última palavra depois do livro didático. Tinha um enorme orgulho, aliás, de conhecer o livro didático, seu mestre, de cabo a rabo. Suas aulas eram impecáveis e se você perdesse uma delas na sexta série A, poderia assistir a mesma aula na sexta série B, pois Mestre Giz tinha uma aula tão “redondinha” que até as piadinhas eram perfeitamente encaixadas no contexto da aula. Absolutamente tudo sem imprevistos e nem improvisos.


Como que por mágica, Mestre Giz deu uma cochilada numa bela e preguiçosa tarde, logo depois do almoço, e viu-se transportado no tempo para uma década adiante, lá pelo final dos anos 90, na virada para 2000. Acordou babado e meio assustado com o que viu: uma sala cheia de computadores, com uma Internet meio capenga e dezenas de cadeados por todos os lugares possíveis. Era a escola tecnológica chegando.

Mestre Giz logo desconfiou daquela parafernália toda e concordou de imediato com a gestão da escola de que era preciso colocar muitos cadeados nas portas e impedir os mortais comuns de mexerem naquelas coisas, evitando assim quebrá-las. Também concordou que seria preciso muito treinamento, formação e projetos inovadores nos próximos anos para que se pudessem usar aquelas coisas e, acima de tudo, era preciso saber para que se usariam aquelas coisas. Se era para ensinar, ele não precisava, pois já sabia fazer isso.

Dias, semanas, meses e anos se passaram e os alunos revoltosos continuavam querendo usar aquelas maquininhas. Mas para quê? Mestre Giz até foi obrigado a fazer um curso sobre como usar um tal de Word e outro Excel, mas já havia esquecido tudo e, além disso, ele não precisava realmente daquilo. Alguns colegas, até mais velhos do que ele, já tinham computadores em sua casa e os usavam, até para “surfar” na Internet, e ele mesmo já havia comprado um para sua filha, mas na escola as coisas eram diferentes porque faltava alguma coisa a mais para poder usar os computadores: faltava um motivo!

Certa vez um professor metido a diferente levou a classe até a Sala de Informática, mas quebrou a cara porque os computadores estavam muito velhos e desatualizados e a Internet nem funcionava em alguns computadores. Além disso, os alunos usavam as Lan Houses do bairro e dispunham de máquinas muito melhores em suas próprias casas. Mestre Giz não pôde esconder um certo sorriso de satisfação ao ver comprovada a sua tese de que aquelas maquininhas eram mesmo inúteis na escola.

Como o tempo é o grande carrasco das verdades absolutas, um dia aquele professor teimoso, de tanto teimar, conseguiu fazer algo dar certo na Sala de Informática. Não foi nada de muito sofisticado, apenas uma pesquisa rápida na Internet e um texto, digitado naquele tal de Word. Pura perda de tempo, concluiu logo Mestre Giz. A cena se repetiu outras vezes e até mesmo com outros professores, mas a grande pergunta de Mestre Giz continuava sem resposta: e para que EU preciso disso?

Hoje cedo Mestre Giz levantou da cama pelo mesmo lado que sempre levanta, pisou com o pé direito primeiro, como sempre, e tomou seu café com leite e pão com manteiga antes de ir para a escola. Escola que, aliás, parece cada dia pior. Os alunos já não têm mais tanto respeito como antes e nem demonstram muito interesse pelas suas aulas que, à propósito, continuam “redondinhas” como há duas décadas! “Azar o deles”, sentencia Mestre Giz.

Alguns colegas professores andam com notebooks ao invés de cadernos, e usam um tal de data-show de vez em quando, ao invés do projetor de slides. Parece que é melhor, mas dá muito trabalho fazer alguma coisa no computador para depois ter que usar o notebook da escola e o data-show e, além disso, não há ninguém na escola para fazer toda essa montagem para os professores. Os professores têm que, eles mesmos, colocarem as imagens no computador e ligar tudo no data-show. Assim fica muito difícil, conclui para si mesmo Mestre Giz, com um certo ar de espanto com aqueles professores que conseguem fazer essas coisas sozinhos e sem cursos ou formações especiais.

Na hora do intervalo, Mestre Giz fez as contas para sua aposentadoria e descobriu que agora falta pouco. Ainda bem, pensou ele, afinal a escola mudou muito e está cada dia mais difícil ensinar. Ele tem pena desses professores mais novos que são obrigados a usarem computadores, Internet, data-show, DVD e outras porcarias para poderem ensinar suas disciplinas. Ele nunca precisou de nada disso. É pena também que os alunos não saibam dar o merecido valor às suas aulas e não entendam que ele já sabe tudo o que os alunos precisam saber. É pena que a juventude ache que pode escolher o que aprender só porque tem uma tal de Internet e que passem tanto tempo nos computadores ao invés de estarem mergulhados nos livros.

Quando estava saindo para o almoço uma aluna lhe perguntou se não podia entregar em um CDROM a pesquisa que ele passou como tarefa, ou mandar por e-mail. É claro que ele respondeu que não. E como esses alunos estão a cada dia mais atrevidos, a garota lhe perguntou com a maior inocência “porque não?”.

Sacando como sempre de sua arma mais poderosa, a razão, Mestre Giz disparou na aluna o mesmo petardo que vem disparando há duas décadas em todos aqueles que lhes questionam o porquê dele simplesmente se negar a usar as novas tecnologias na educação: “Ora, minha cara, eu não preciso de nada disso para lhe ensinar minha matéria”. Mas, desta vez, ao invés do silêncio que costuma receber em resposta, a garota, atrevida que é, parece que resolveu retrucar com algo que até então Mestre Giz ainda não havia compreendido muito bem: “Eu sei que VOCÊ não precisa, professor, mas EU preciso e PRECISAREI A VIDA TODA. Porque não posso usar então?”.

E agora, Mestre Giz?

(*) Este texto é uma fábula. Ele é totalmente fictício. Mestre Giz, ou professores que acreditam que não precisam usar as novas tecnologias na escola porque são capazes de ensinar sem elas, e que desconhecem a necessidade que os alunos têm de aprender com elas, são personagens inexistentes na vida real. Qualquer semelhança entre os personagens dessa fábula e a realidade cotidiana de uma escola é mero fruto da sua própria imaginação.

(*) Para citar esse artigo (ABNT, NBR 6023):

ANTONIO, José Carlos. E agora, Mestre Giz?, Professor Digital, SBO, 18 set. 2009. Disponível em: . Acesso em: [coloque aqui a data em que você acessou esse artigo, sem o colchetes].

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Blog


UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
UESB - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
CURSO - MÍDIAS NA EDUCAÇÃO – AVANÇADO
GRUPO - CAETANO VELOSO
KELLY CHRYSTINE GUEDES LEVY
Blog
O blog faz parte do potencial que as TIC`s dispõem para ser trabalho nos laboratórios de informática disponibilizados pelo governo federal na maioria das unidades escolares.
O alunado não aprende só na escola. Lévy (1993):

Reflete que a cinco mil anos a escola está centrada no mestre, onde só ele fala e dita o conhecimento, e diante da era do conhecimento a difusão não é mais a principal função do professor, pois os equipamentos são mais eficazes nesta tarefa.

 “Estamos, inconscientemente, chegando à civilização planetária." (Dámbrosio, 2000), pelo uso de computadores que nos interliga a todo o momento. O virtual e o real de existência paralela, “o virtual existe em potência, e não em ato. No entanto, o real e o virtual não se opõem, eles são apenas, duas maneiras diferentes de se ter e ver a realidade (Lévy; 2000)
O trabalho pedagógico integrado as hiper-possibilidades que a telemática nos oferta, não só dinamiza o processo de apreensão e busca do conhecimento, como também, fortalece competências, que para Perrenoud "Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.), para solucionar uma série de situações".
Ter um laboratório de informática na escola não garante mudanças na educação, a diferença só ocorrerá quando o educador abordar de forma diferenciada o potencial que o mesmo permitirá auxiliar o processo ensino-aprendizagem.
O Blog é um mecanismo sem custo para escola que beneficia o educandos e o educador, permitindo que o processo ensino-aprendizagem seja dinâmico e pró ativo. Podendo expor ações realizadas na escola, assim, como discussão sobre determinados temas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DAMBRÓSIO, 2000, Salto para o Futuro, Série Tecnologia e Currículo
LÉVY, Pierri. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2000. 212 p.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

ARQUIVO PESSOAL - SINTESE DO TEXTO: AS CONSEQUENCIAS DA MODERNIDADE

GIDDENS, Anthony. As dimensões institucionais da Modernidade, in:As conseqüências da modernidade. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1991.


Para compreender a sintese do capitulo 2 intitulado: As dimensões institucionais da Modernidade contido no livro : As conseqüências da modernidade; faz necessário identificar o autor:

Anthony Giddens é um dos sociólogos mais profícuos da atualidade, quer seja pela qualidade e temática de sua obra, quer seja por suas convicções políticas. Nasceu no dia 18 de janeiro de 1938 em Londres. Sociólogo britânico, renomado por sua Teoria da estruturação.Do ponto de vista acadêmico, o seu interesse centra-se em reformular a teoria social e reexaminar a compreensão do desenvolvimento e da modernidade.

Foi Director da: London School of Economics and Political Science (LSE) entre 1997 e 2003. Anteriormente foi professor de Sociologia em Cambridge. Muitos livros foram publicados sobre este autor e a sua obra. Foram-lhe concedidos diversos títulos honoríficos. Foi co-fundador, em 1985, de uma editora de livros científicos, a Polity Press. Giddens trabalhou como assessor do ex-Primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Anthony Giddens situa o leitor na questão relacionada às instituições modernas se são capitalistas ou industriais? Partindo da definição e caracterização dos eixos citados o que conduz a um entendimento das dimensões institucionais da modernidade e da globalização.

O autor desenvolve uma incurssão para o esclarecimento do problema proposto identificando que a grande arma do capitalismo é a vigilância. Giddens se aventura em terreno pantanoso: o militarismo é quase sempre objeto de estudo de liberais, quase nunca de marxistas.

Metódico, o sociólogo inglês começa por desmontar as teorias sociais evolucionistas, que permeiam tanto os trabalhos de Marx como os do positivista Augusto Comte, demolindo a falácia eurocêntrica de que as sociedades ocidentais sejam o topo de uma escala darwiniana de desenvolvimento. Optando por uma visão descontinuísta da história - aqui refinando a visão marxista. E segue buscando nos primórdios do Estado absolutista a concentração de poder administrativo que permitiria o estabelecimento tanto do capitalismo como do industrialismo. Que possibilita a manipulação de informações de acordo com a ideologia da classe dominante, através da proposta curricular da escola e por seguinte estimulando a passividade dos aprendentes e perpetuando o sistema de classes vigentes.

Conceitua o capitalismo como “sistema de produção de mercadorias, centrado sobre a relação entre a propriedade privada do capital e o trabalho assalariado sem posse de propriedade”, e das características inerentes ao industrialismo com “uso de fontes inanimadas de energia material na produção de bens, combinado ao papel central da maquinaria no processo da produção capitalismo”.

Reconhece as sociedades capitalistas como subtipo das sociedades modernas tendo como características: competitividade, expansionismo, economia insulada, transformação do trabalho assalariado em mercadoria, autonomia do estado, controle por meio da violência
Identifica as quatro dimensões básicas da modernidade e sua inter-relações.

MODERNIDADE

Dimensões institucionais
Vigilância
Capitalismo Poder militar
Industrialismo

Segundo Giddens “ a globalização é a intensificação das relações sociais em escala mundial e que esse termo pode ser explicado pelas perscpectivas teoricas : literatura das relações internacionais e a teoria do sistema mundial.

Há uma interdependência cada vez maior entre o espaço global e o local. O global tem influência sobre as vidas individuais nos espaços locais; mas também as decisões dos indivíduos em seu cotidiano podem influenciar sobre os resultados globais. Esta inter-influência incide sobre as coletividades e grupos de todos os tipos, incluindo o Estado. Todos têm que levar em consideração essa realidade, o que pressupõe repensar os papéis, sua reorganização e reformulação. Portanto, a globalização amplia tanto as oportunidades quanto as incertezas e os perigos.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Anthony_Giddens. Acesso 4/08/08



ARQUIVO PESSOAL - RESENHA CRITICA

BRANDÃO, Zaia(org). A crise dos paradigmas e a educação – 8 ed – São Paulo. Cortez,2002. P.104.

                                                  *Kelly Chrystine Guedes Levy


A autora Rosaly Hermengarda Lima Brandão é uma referência para os profissionais de educação no Brasil. Conhecida no meio acadêmico como Zaia Brandão. Professora universitária, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Rio e ganhadora do Prêmio "Cientistas do Nosso Estado" de 2002.

Zaia Brandão também é pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) e ao longo de sua carreira publicou vários títulos, entre eles: A crise dos paradigmas e a educação (Cortez Editora) e Democratização do Ensino: meta ou mito? (Francisco Alves).

Brandão, como organizadora desta obra apresenta textos que serviram de base para o debate ocorrido durante o Seminário A crise dos paradigmas e a educação, que permitiu discussões de especialistas da área de Ciências Humanas e Sociais e profissionais da Educação. Que trocaram posicionamentos sobre a quebra do paradigma e suas conseqüências no campo da educação e da construção do conhecimento.

Na apresentação Zaia Brandão, faz algumas reflexões sobre as tarefas da Educação como produtora de conhecimento e orientação para as populações, nesta fase de crise, transição, metamorfose. Oriunda da era do conhecimento que teve como ponto chave a nova organização social fruto do desenvolvimento da tecnologia da informática e da cibernética, que promove a necessidade de mudanças no paradigma-instrumento e uma nova arrumação do paradigma produto de forma mais integrada e complementar, com "pontes" para a circulação interdisciplinar (e não com trincheiras para impedir o acesso). Mas será possível escapar ao condicionamento da cultura fragmentária e comercial, pregada diariamente do alto das torres de televisão, mantida pelas supervigilantes redes informatizadas dos banqueiros, multinacionais e patrulhada pelos serviços secretos de informação dos Estados?

A obra é composta pela síntese de diferentes abordagens, através de diversos autores. O primeiro é Danilo Marcondes no qual aborda a crise de paradigmas e o surgimento da modernidade, situa o leitor em relação a paradigma do ponto de vista com acepção clássica e do contemporâneo, realizando uma incursão pela história da ciência visando um maior esclarecimento do assunto abordado.

“De acordo a Platão, “ um paradigma é um tipo exemplar que se encontra em um mundo abstrato e do qual existem instâncias, como cópias imperfeitas , em nosso mundo concreto.” Na definição de Thomas Kuhn em sua obra A Estrutura Estrutura das Revoluções Científicas entende “ que paradigma é aquilo que os membros de uma comunidade cientifica compartilham” Em ambas concepções tem um caráter exemplar a função normativa.

Portanto a crise de um paradigma é a insatisfação com o modelo estabelecido e uma mudança conceitual da visão de mundo. Quando as mesmas são radicais são fruto de revoluções cientificas. Que para Kuhn são proeminentes de causas internas ou externas, sendo a primeira fruto do desenvolvimento teórico e metodológico dentro de uma mesma teoria. As causas externas são mudanças da sociedade e da cultura em determinada época.

O segundo texto foi elaborado por Carlos Alberto Plastino e intitulado A crise dos paradigmas e a crise do conceito paradigma

É um livro a nível epistemológico, de crítica e discussão da construção do conhecimento, seus métodos, seu condicionamento histórico e geográfico e

suas aplicações na organização do ecossistema planetário. Porém pouco é mostrado sobre os esaforços que estão fazendo para a superação dessa crise. Vale ressaltar que a UNESCO desde 1987, no encontro de Veneza, vem estimulando não só a integração interdisciplinar, mas também a transdisciplinar; não só entre as formas de conhecimento e de orientação dadas pelas disciplinas acadêmicas, mas também pelas tradições espirituais de cunho místico, bem como da arte (exemplos disso são: Fritjoff Capra, David Bohm e Krishnamurti etc.). O livro não menciona um seminário similar dirigido por Cremilda Medina, com os resultados publicados pela ECA/USP: Novo Pacto da Ciência - A Crise dos Paradigmas (1990-1991), do qual já saiu o segundo volume, e está previsto o terceiro e último. Não analisou, sequer citou na bibliografia, as experiências e publicações da Universidade Holística Internacional (Brasília), dirigida por Pierre Weil, e as experiências e publicações da Cibernética Social, que são contribuições brasileiras

A busca de uma nova identidade da Educação vem possibilitando um novo olhar através de questionamento da receita cartesiana, com disciplinas excludentes que possibilita mais a exclusão de que a inclusão do cidadão diante da era da informática, mesmo que concretizada como ciência independente, autossuficiente, cotidianizada no currículo por disciplinas cartesianas que pouco têm a ver com a vida, tornando a sala de aula um local distante da realidade do educando. A obra tem grande mérito de alimentar o debate e instigar a busca e a criação de alternativas para a crise.


*Tutora do Curso de Licenciatura em Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FTC - EaD); Coordenadora do Município de Rio Real/BA e Professora de Matemática do Estado da Bahia. Pós graduada em: Gestão Educacional (FTC Faculdade de Ciências e Tecnologia); Psicopedagogia Escolar(Faculdade Montenegro); Educação de Jovens e Adultos ( UNEB – Universidade do Estado da Bahia). Graduada em Pedagogia (UFBA – Universidade Federal da Bahia)




quinta-feira, 21 de julho de 2011

Como fazer uma monografia

Nem mesmo um livro inteiro esgotaria todas as possibilidades sugeridas pelo título deste artigo: como fazer uma monografia. Mas, podemos sitematizar alguns passos sobre como realizar esta tarefa, sobretudo àqueles que se encontram sem nenhuma idéia de como proceder.

1º passo - Clareza sobre o tema

A idéia clara e precisa do que se pretende estudar já é um excelente início para se escrever uma monografia. Não estou me referindo ao assunto, mas sim ao tema da pesquisa. O assunto sugere uma área de interesse, o que sempre traz inúmeras possibilidades, sendo amplo demais. Para se fazer uma monografia é preciso ter um tema, um assunto delimitado. Deve-se lembrar que monografia quer dizer estudo sobre um único tema, portanto é conveniente fugir de temas que se bifurquem e que ensejariam duas pesquisas e não apenas uma (o que, aliás, já é suficientemente trabalhoso). Para se delimitar um tema de pesquisa existem alguns critérios que precisam ser observados.
2º passo - Levantamento bibliográfico

Uma monografia só começa a se materializar quando deixamos de lado um pouco as elocubrações sobre a escolha do tema e partimos para a ação, indo às fontes para delinear melhor nosso estudo. Como fazer isto? Não há outro caminho a não ser o de se elaborar um levantamento de livros, artigos e teses que já trataram do mesmo tema ou pelo menos do mesmo assunto que o da nossa monografia. Esse levantamento será fundamental para verificarmos, na prática, se existe material suficiente para dar suporte a nosso estudo ou não, bem como para mapear como o mesmo vem sendo estudado por outros pesquisadores, dando uma idéia exata do estado da questão de nosso objeto. Deve-se ainda fazer um registro de todas as obras encontradas sobre o tema em fichas. As fichas, que devem conter as referências bibliográficas da obra, bem como a indicação de onde podemos encontrá-la para consulta, nos ajudarão depois, no momento de leitura e coleta dos dados.

3º passo - Problematização

Toda pesquisa é norteada por uma pergunta que pretendemos responder. Pergunta sobre a causa de um determinado fenômeno ou sobre o seu comportamento. De posse dos dados iniciais coletados no levantamento bibliográfico e orientados pela delimitação do tema, então precisamos tornar claro o nosso problema de pesquisa. Para problematizar um objeto, é necessário transformar em pergunta (que possa ser respondida por meio de pesquisa) o tema que nos propusemos a estudar.

4º passo - Sumário provisório

Tendo já definido nosso objeto de estudo (o tema devidamente delimitado e problematizado), passemos então à redação do sumário provisório. Todo autor antes de escrever um livro redige uma lista de assuntos que serão tratados nos capítulos. Tal lista ajudará na hora da redação. Pois bem, antes de escrevermos nossa monografia é preciso planejar os assuntos que serão tratados nos seus capítulos. Isto é feito como num sumário de livro, com a diferença que esse nosso esqueleto será ainda provisório. Muito bem, numa folha ou mesmo no computador escreva o título de sua monografia, na sequência um rápido resumo de sua delimitação e problematização. Em seguida, relacione os títulos provisórios dos assuntos que serão abordados nos capítulos, enumerando-os. É bastante útil que cada capítulo planejado seja subdividido em itens. Exemplo:

Título

Tema

Delimitação

Problema

Cap. 1

1.1

1.2

1.3

Cap. 2

2.1

2.2

2.3

Cap. 3

(...)

Cap. 4

(...)

À medida que o estudo avançar, serão feitas alterações neste plano provisório, mas ele nos auxiliará nas etapas seguintes do trabalho.

5º passo - Coleta de dados

Quando sabemos com precisão onde queremos chegar e o que pretendemns estudar, fica mais simples realizar a tarefa da coleta de dados. É a pesquisa propriamente dita. Nesta fase levantaremos todas as informações necessárias para responder à pergunta-problema e desenvolver nossa monografia. Podemos buscar os dados em diversas fontes, como na observação de experimentos, no levantamento de dados em campo, por meio de questionários e entrevistas e ainda por meio da leitura exaustiva da bibliografia arrolada na etapa do levantamento bibliográfico. Toda a bibliografia selecionada deve ser lida e fichada. No fichamento, anotaremos as informações que mais nos interessam para o desenvolvimento da monografia. É importante anotarmos também, em fichas ou folhas avulsas, as idéias que forem surgindo da leitura. Essas fichas conterão apenas nossa reflexão sobre o assunto, não se tratando de uma cópia do pensamento dos autores estudados.

6º passo - Redação do trabalho

Com a posse de todos os fichamentos de leitura e de idéias e os dados levantados em nosso estudo de caso, passaremos agora à escrita propriamente da monografia. Antes de escrevermos, iremos reorganizar o sumário provisório, de acordo com o material que conseguimos agrupar. Uma boa estratégia é criar uma pasta (do tipo pasta-catálogo). Cada repartição será destinada a um dos capítulos. Nesses compartimentos nós iremos distribuir nossos fichamentos. Assim, para cada capítulo teremos o planejamento dos itens que serão tratados e do respectivo material pesquisado. Depois dessa organização, passamos à escrita do trabalho, lembrando que a monografia deve apresentar os resultados da pesquisa realizada e que os dados ali indicados visam a responder um problema. Não se esqueça de que as citações bibliográficas e a própria formatação do trabalho devem obedecer a normas técnicas da instituição onde o trabalho será apresentado e da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Como dissemos no início, impossível esgotar um assunto como este. Mas, espero ter contribuído de alguma forma para aqueles que querem iniciar sua monografia mas que não sabiam ao certo como fazê-lo.

Postado por José Artur Teixeira Gonçalves

Formulação do problema



A problematização - etapa do planejamento científico que mais costuma tirar a noite de sono dos pesquisadores, sobretudo dos iniciantes - nada mais é do que a proposição de uma questão que se buscará responder por meio de pesquisa. Em outras palavras, problema é a pergunta que a pesquisa pretende resolver.

Pelo que tenho visto, a dificuldade maior da problematização pelos estudantes decorre mais pela falta de maturidade ou de conhecimento do tema, do que pela dificuldade própria de construção do problema. Um tema bem delimitado e uma revisão sistemática da bibliografia já anunciam para o pleno êxito na formulação de um problema de pesquisa.

Não adianta, entretanto, querer pular etapa e ir direto ao problema, já que este resulta de um processo de amadurecimento e reflexão sobre um assunto, que depois se tornará um tema, até se chegar à problemática.

Do ponto de vista metodológico, um problema de pesquisa deve atender a alguns requisitos. Como sugere Gil (2002), um problema deve ser:

a) claro e preciso (todos os conceitos e termos usados em sua enunciação não podem causar ambiguidades ou dúvidas);

b) empírico, isto é, observável na realidade, que pode ser captado pela observação do cientista social através de técnicas e métodos apropriados;

c) delimitado;

d) passível de solução (é necessário que haja maneira de produzir uma solução para o problema dentro de critérios metodológicos e de cientificidade).

As quatro dimensões citadas acima devem ser usadas como um crivo para o pesquisador examinar a consistência do seu problema. Antes de formulá-lo no papel, seria oportuno questionar-se: o problema, nos termos que o coloco, é claro? trata-se de questão passível de solução? é delimitado? é empírico?

Para formular o problema, devemos transformar o tema em uma pergunta. Por isso, o melhor caminho para a redação da problemática no corpo do texto do projeto é utilizar uma de frase interrogativa.

Em geral, os pesquisadores em ciências sociais e nas ciências naturais têm em mente perguntas de relação causal ou aquelas que visam conceituar e descrever a ocorrência de um determinado fenômeno.

O que é e como ocorre o fenômeno? Por que ele se manifesta? Quais são seus efeitos e impactos? Estas são algumas das formulações lógicas que podem orientar uma problematização, dependendo, é claro, do objetivo do pesquisador. Uma pesquisa que investigue a relação causal, por exemplo, terá que questionar acerca da causa do fenômeno e não sobre como o mesmo se dá. Este último enfoque resultaria em uma pesquisa descritiva e não explicativa.

A experiência tem mostrado que a utilização dos critérios mencionados acima gera resultados satisfatórios. No entanto, é necessário que se repita: o problema resulta de um trabalho arduamente desenvolvido pelo pesquisador e não surge do vácuo.

Postado por José Artur Teixeira Gonçalves às 13:00

Marcadores: formulação do problema, problematização

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ROTEIRO SIMPLIFICADO DE ELABORAÇÃO DE UM PROJETO



a.  Apresentação:
Inicia-se com a capa onde deverá constar o título e subtítulo (se houver) do projeto, o nome da entidade ou grupo responsável, local e data. Da primeira página deverá constar o nome dos responsáveis pelo projeto e suas respectivas funções.

b.  Objetivos:
Procede-se a uma enunciação clara e concisa do que se espera alcançar;
Os objetivos devem ter uma relação clara com o que está colocado nos problemas ou necessidades.

c.  Justificativa:
Procura responder à questão POR QUE através dos dados e informações disponíveis sobre a realidade onde se quer intervir. É a descrição do problema que originou o projeto.

d.  Atividades Previstas:
Descrição das ações a serem desenvolvidas;
Os meios a serem utilizados;
A definição das responsabilidades de cada um na execução do que foi planejado.

e.  Recursos:
Elencar todos os requisitos em termos de espaços físicos, materiais, dinheiro e pessoas necessários para viabilizar as ações previstas.

f.  Cronograma:
O cronograma dividirá a execução do projeto em fases ou etapas e estabelecerá o tempo previsto para sua realização.

g.  Avaliação do Projeto:
A avaliação do projeto poderá ocorrer em três momentos:
1.  Avaliação Diagnóstica (antes da execução).
É o momento em que se faz a coleta de dados e informações com a finalidade de se levantar a situação - problema e as condições existentes para o seu enfrentamento. Como: pessoas, conhecimentos, espaços físicos para trabalhar, equipamentos e dinheiro.
2.  Avaliação Formativa (durante a execução).
É o acompanhamento sistemático do desenvolvimento das ações, a detecção de atrasos e falhas e a sua correção no curso mesmo do processo de execução.
3.  Avaliação Somativa (após a execução).
Verifica se o projeto atingiu ou não os objetivos perseguidos. Detecta o mérito, a relevância e o impacto sobre a situação das ações desenvolvidas, destacando os pontos positivos e negativos, produzindo, assim, os elementos para se estabelecer um juízo de valor acerca do trabalho realizado.
Quando se trata de projetos de protagonismo juvenil, o acerto e o erro têm valor positivo, pois ambos podem ser usados para alimentar e retro-alimentar o processo de aprendizagem, crescimento e desenvolvimento dos jovens, como pessoas e como cidadãos.

Antonio Carlos Gomes da Costa é educador e autor de diversos livros. Através de sua empresa, a Modus Faciendi (www.modusfaciendi.com.br), com sede em Belo Horizonte, MG, presta consultoria a diversas instituições do Terceiro Setor, entra as quais o Instituto Ayrton Senna, do qual é o principal consultor.


MONITORAMENTO E A AVALIAÇÃO: COMO PROCESSO DE MELHORIA DA QUALIDADE DE ENSINO O monitoramento e a avaliação da aprendizagem são processos...