sexta-feira, 13 de julho de 2012

Como trabalhar com jornal na EJA

SALVADOR - BA ESCOLA BRIGADEIRO EDUARDO GOMES
Estrutura Curricular

Modalidade / Nível de Ensino
Componente Curricular
Tema
Educação de Jovens e Adultos - 2º ciclo
Língua Portuguesa
Linguagem escrita: leitura e produção de textos

Dados da Aula - O que o aluno poderá aprender com esta aula
Reconhecer os diferentes gêneros textuais contidos em um jornal. Localizar as principais informações de uma notícia. Relacionar as imagens com os fatos destacados.
Duração das atividades  - 5 aulas.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
O professor deverá trabalhar anteriormente com os alunos sobre diferentes gêneros textuais e a utilização dos mesmos em cada situação da vida cotidiana.
Estratégias e recursos da aula
O professor iniciará a aula apresentando um jornal impresso à turma. Em seguida  os alunos serão divididos em grupos. Cada grupo receberá um caderno do jornal para ser avaliado, analisado e apresentado ao restante dos alunos com as considerações sobre o tipo de notícia, autor da notícia, tema central, manchete, etc.
Após esta etapa, os alunos  irão para a sala de informática para acessarem um jornal online, fazendo assim um paralelo entre o jornal impresso e o jornal virtual.
Os alunos deverão criar um jornal  na escola  com notícias da comunidade  relacionada com saúde, saneamento básico, esporte, moda, classificados, etc., sendo que cada grupo ficará responsável por um caderno do jornal. Para elaboração das notícias os alunos deverão seguir um roteiro,  respondendo às seguintes perguntas  sobre o acontecimento:
O QUE?             Onde?            Quando?              Como?          Quem?
Após  esta etapa, os alunos irão escrever a notícia  elaborando um texto  com clareza e objetividade, ilustrando-a com fotografia.
Recursos Complementares
JORNAL IMPRESSO. site:www.atarde.com.br
Avaliação
O professor irá avaliar todo o processo de elaboração do jornal, observando a linguagem utilizada em cada caderno, bem como a diagramação da notícia, clareza e objetividade da mesma.
TRABALHANDO COM A NOTICIA
Realizar primeiramente uma conversa com os alunos sobre o projeto e seus objetivos, ao mesmo tempo em que o professor solicitou sugestões de como trabalhar o jornal impresso, o que eles gostariam de saber, promovendo também uma discussão a respeito do que eles já conheciam desse meio de comunicação.
Em seguida, haverá a apresentação da diversidade de cadernos e assuntos abordados em um jornal, identificando os diferentes gêneros textuais de imprensa e a finalidade de cada um, trabalhando em grupos na localização e leitura das matérias que considerassem mais interessantes.
Discussão de temas atuais escolhidos de acordo com o interesse dos alunos, desafiando-os a interpretarem, com olhar crítico, as informações e as imagens divulgadas, relacionando-as com a realidade local.
Elaboração de um processofólio para registro de todos os textos trabalhados e todas as produções dos alunos, a fim de que durante e ao final do projeto o professor pudesse avaliar a evolução do aluno, quanto à organização, aos aspectos gramaticais e à coerência e coesão de seus textos.
A próxima atividade foi a promoção de estudo, em grupos, sobre os jargões jornalísticos (pauta, nota, lide, etc.). Depois do estudo, cada grupo apresentou o resultado de sua pesquisa aos demais alunos, usando cartazes.
Planejamento e elaboração coletiva de uma entrevista com um especialista, momento em que o professor enfatizou a importância de saber adequar-se ao discurso e de envolver-se na situação de interlocução. Logo após, convidar um especialista para dar uma palestra sobre o Jornal como Instrumento de Valoração e Democracia, bem como o processo de elaboração desse veículo. Terminada a palestra, os alunos realizarão a entrevista que foi previamente elaborada, tendo o cuidado para não perguntarem o que já foi esclarecido durante a palestra, mantendo o propósito da obtenção de informações relevantes e necessárias.
Para análise das semelhanças e diferenças com que abordam as notícias, foram distribuídos jornais que circulam na nossa cidade, atividade que foi realizada em grupo.
Em seguida foi feita a socialização dos tópicos produzidos por cada grupo, com o registro destes no quadro de giz e explanação sobre como cada jornal abordou a mesma temática, bem como a sua diagramação e estilo linguístico, identificando e refletindo por que alguns fatos se transformaram em notícia para um determinado jornal, no entanto, não foi citado pelo outro. O professor esclareceu que para um acontecimento transformar-se em notícia é necessário que ele seja interessante e tenha importância para o público. Isso quer dizer que nem tudo o que acontece pode virar notícia.
Realização de uma atividade que consistiu na reescrita de um pequeno relato sobre um acontecimento que não é suficientemente interessante para ser notícia, ou seja, os alunos acrescentaram a ele um fato para que pudesse interessar ao público e, assim, ser publicado. Depois, os alunos produziram a manchete e a notícia correspondente ao relato.
Leitura pelos alunos de suas produções, seguida de comentários sobre o cumprimento das características desse gênero.
Aula no laboratório de informática, a fim de que os alunos acessassem os sites dos jornais até então trabalhados, comparando a primeira página dos impressos com o online; o professor questionou quanto à formatação e à facilidade da localização de informações.
Interação com os jornais, a partir de correio eletrônico onde os alunos deram sugestões, fizeram críticas e elogios sobre os conteúdos e a maneira como foram abordados por este meio de comunicação.
Depois de comparar o jornal impresso e o on-line, o professor iniciará uma análise comparativa da linguagem jornalística veiculada pelo rádio e pela televisão, trazendo para sala um telejornal gravado em DVD e programações escritas de programas de rádio. Após terem assistido e analisado os programas, o professor solicitará aos alunos que analisem as características de cada meio, o que há em comum, quais são as diferenças, a especificidade da linguagem utilizada.
Os alunos, em grupos, organizarão, por escrito, a programação de um noticiário de rádio e de TV, abordando temas da atualidade. O programa será gravado em data previamente marcada pelo professor, logo após a apresentação e gravação haverá o momento para a exibição do programa em que os alunos conversarão sobre o que acharam dos temas, da postura, do cenário e da linguagem, dando sugestões de melhorias.
Após todo estudo, análise, reflexão e comparação do texto jornalístico, o professor dará sugestão de a turma criar um jornal impresso para a escola, desde já definindo com os alunos o passo-a-passo para sua produção:
Ø   Nome e logotipo;
Ø   Definição do público a que seria dirigido;
Ø   Conteúdos, seções e gêneros textuais a serem publicados;
Ø   Projeto gráfico (aparência, letras, cores, tamanhos, etc.);
Ø   Constatação dos recursos materiais disponíveis, definindo possíveis patrocinadores, bem como a publicidade.
Ø   Formação das equipes com a divisão de suas respectivas tarefas (repórteres, redatores, diretores de arte, professor responsável, etc.).
Depois de todo o material pesquisado, recolhido, selecionado e também produzido pelas equipes, o professor ajudará na redação, revisão, digitação e diagramação dos textos, a turma poderá ter ajuda de um técnico em informática no momento da diagramação.
Produzida a primeira edição do jornal impresso, os alunos divulgarão seu trabalho através do blog da turma, postando manchetes, notícias, fotos, enquetes e o vídeo do jornal produzido e gravado por eles, a fim de mostrarem ao mundo o que aprenderam, o que desenvolveram e, assim receber e respostar comentários, sugestões e críticas de todos os blogueiros.
Será organizado o lançamento do jornal impresso, tendo como convidados a comunidade escolar, os palestrantes e patrocinadores. Nesse momento, hoverá a exposição de todo material produzido durante a execução do projeto (fotos, processofólio, painéis e gravações).
Com a ajuda de um da será encerrado com a distribuição do primeiro exemplar do jornal.
É importante salientar que, como o trabalho será interdisciplinar, a primeira atividade de todas foi uma reunião com os demais professores da turma e com a equipe gestora da escola, a fim de apresentar a ideia e pedir sugestões, bem como o apoio de todos.
Será feito um acordo com os professores para que preenchêssemos uma ficha de planejamento abordando as atividades realizadas, seus objetivos, as dificuldades encontradas e soluções adotadas.
O processofólio foi um instrumento usado em todas as disciplinas, portanto, por todos os professores:
MATEMÁTICA: Caderno - Como calcular o consumo de energia elétrica de sua casa e/ou estabelecimento comercial
CIÊNCIAS: Caderno – Drogas está presente cada vez mais cedo na vida dos jovens
HISTÓRIA: Caderno – Novas denominações para práticas antigas
ARTES: Caderno – Um jogo divertido de fazer e jogar
GEOGRAFIA: Caderno – Sobrevivendo no semiárido
INGLÊS: Caderno – Divirta-se com caça-palavras
EDUCAÇÂO FÍSICA: Caderno – Pratique esporte! Tenha boa saúde!
PORTUGUÊS: Disciplina que orientou a produção de todo o jornal impresso, radiofônico e em vídeo, além do site da turma.

Quando educas?



Não educa quando impõe suas convicções,
mas quando suscita convicções pessoais.
Não educa quando impõe condutas,
mas quando propõe valores que motivem.
Não educa quando impõe caminhos,
mas quando ensina a caminhar.
Não educa quando impõe dependências,
mas quando acorda a coragem de ser livre.
Não educa quando impõe suas ideias,
mas quando fomenta a capacidade de pensar por conta própria.
Não educa quando impõe o terror que isola,
mas quando libera o amor que acerca e comunica.
Não educa quando impõe sua autoridade,
mas quando cultiva a autonomia do outro.
Não educa quando impõe a uniformidade que doutrina,
mas quando respeita a originalidade que faz a diferença.
Não educa quando impõe a verdade,
mas quando ensina a procurá-la honestamente.
Não educa quando impõe uma punição,
mas quando ajuda a aceitar um castigo.
Não educa quando impõe disciplina,
mas quando forma pessoas responsáveis.
Não educa quando impõe autoritariamente o respeito,
mas quando o ganha com autoridades de pessoa respeitável.
Não educa quando impõe o medo que paralisa,
mas quando consegue a admiração que estimula.
Não educa quando impõe informação à memória,
mas quando mostra o sentido da vida.
Não educa quando impõe a Deus,
mas quando o faz presente na tua vida.

terça-feira, 10 de julho de 2012

A INTRODUÇÃO DA INFORMÁTICA NO AMBIENTE ESCOLAR

A INTRODUÇÃO DA INFORMÁTICA


NO AMBIENTE ESCOLAR

Prof. José Junio Lopes

josejunio@clubedoprofessor.com.br

josejunio@gmail.com

Resumo

Este artigo se baseia na experiência da introdução da Informática em uma escola de São Paulo. Nesse enfoque, trabalharei a introdução da Informática como um processo e a importância da intervenção do coordenador de Informática na reconstrução da prática pedagógica do professor no uso da Informática na educação.

I - Introdução

A Informática vem adquirindo cada vez mais relevância no cenário educacional. Sua utilização como instrumento de aprendizagem e sua ação no meio social vem aumentando de forma rápida entre nós. Nesse sentido, a educação vem passando por mudanças estruturais e funcionais frente a essa nova tecnologia.

Houve época em que era necessário justificar a introdução da Informática na escola. Hoje já existe consenso quanto à sua importância. Entretanto o que vem sendo questionado é da forma com que essa introdução vem ocorrendo.

Com esse artigo pretendo discutir alguns pontos, de suma importância, que possam gerar uma reflexão sobre a introdução da Informática na escola, como: o ser humano e a tecnologia, Informática x currículo, o processo de introdução da Informática, a função do coordenador de Informática.

II - O Ser humano e a Tecnologia

Segundo FRÓES : “A tecnologia sempre afetou o homem: das primeiras ferramentas, por vezes consideradas como extensões do corpo, à máquina a vapor, que mudou hábitos e instituições, ao computador que trouxe novas e profundas mudanças sociais e culturais, a tecnologia nos ajuda, nos completa, nos amplia.... Facilitando nossas ações, nos transportando, ou mesmo nos substituindo em determinadas tarefas, os recursos tecnológicos ora nos fascinam, ora nos assustam...”

A Tecnologia não causa mudanças apenas no que fazemos, mas também em nosso comportamento, na forma como elaboramos conhecimentos e no nosso relacionamento com o mundo. Vivemos num mundo tecnológico, estruturamos nossa ação através da tecnologia, como relataKERCKHOVE , naPele da Cultura “os media eletrônicos são extensões do sistema nervoso, do corpo e também da psicologia humana”.

De acordo com (FRÓES) “Os recursos atuais da tecnologia, os novos meios digitais: a multimídia, a Internet, a telemática trazem novas formas de ler, de escrever e, portanto, de pensar e agir. O simples uso de um editor de textos mostra como alguém pode registrar seu pensamento de forma distinta daquela do texto manuscrito ou mesmo datilografado, provocando no indivíduo uma forma diferente de ler e interpretar o que escreve, forma esta que se associa, ora como causa, ora como conseqüência, a um pensar diferente.”

BORBA(2001) vai um pouco mais além, quando coloca “seres-humanos-com-mídias” dizendo que “ os seres humanos são constituídospor técnicas que estendem e modificam o seu raciocínio e, ao mesmo tempo, esses mesmos seres humanos estão constantemente transformando essas técnicas.” ( p.46)

Dessa mesma forma devemos entender a Informática. Ela não é uma ferramenta neutra que usamos simplesmente para apresentar um conteúdo. Quando a usamos, estamos sendo modificados por ela.

III - Informática x Currículo

O principal objetivo, defendido hoje, ao adaptar a Informática ao currículo escolar, está na utilização do computador como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados, além da função de preparar os alunos para uma sociedade informatizada.

Entretanto esse assunto é polêmico. No começo, quando as escolas começaram a introduzir a Informática no ensino, percebeu-se, pela pouca experiência com essa tecnologia, um processo um pouco caótico. Muitas escolas introduziram em seu currículo o ensino da Informática com o pretexto da modernidade. Mas o que fazer nessa aula? E quem poderia dar essas aulas? A princípio, contrataram técnicos que tinham como missão ensinar Informática. No entanto, eram aulas descontextualizadas, com quase nenhum vínculo com as disciplinas, cujos objetivos principais eram o contato com a nova tecnologia e oferecer a formação tecnológica necessária para o futuro profissional na sociedade.

Com o passar do tempo, algumas escolas, percebendo o potencial dessa ferramenta introduziram a Informática educativa, que, além de promover o contato com o computador, tinha como objetivo a utilização dessa ferramenta como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados.

Entretanto esse apoio continuava vinculado a uma disciplina de Informática, que tinha a função de oferecer os recursos necessários para que os alunos apresentassem o conteúdo de outras disciplinas.

Vivemos em um mundo tecnológico, onde a Informática é uma das peças principais. Conceber a Informática como apenas uma ferramenta é ignorar sua atuação em nossas vidas. E o que se percebe?! Percebe-se que a maioria das escolas ignora essa tendência tecnológica, do qual fazemos parte; e em vez de levarem a Informática para toda a escola, colocam-na circunscrita em uma sala, presa em um horário fixo e sob a responsabilidade de um único professor. Cerceiam assim, todo o processo de desenvolvimento da escola como um todo e perdem a oportunidade de fortalecer o processo pedagógico.

A globalização impõe exigência de um conhecimento holístico da realidade. E quando colocamos a Informática como disciplina, fragmentamos o conhecimento e delimitamos fronteiras, tanto de conteúdo como de prática. Segundo: GALLO- (1994) “A organização curricular das disciplinas coloca-as como realidades estanques, sem interconexão alguma, dificultando para os alunos a compreensão do conhecimento como um todo integrado, a construção de uma cosmovisão abrangente que lhes permita uma percepção totalizante da realidade.”

Dentro do contexto, qual seria a função da Informática? Não seria de promover a interdisciplinaridade ou, até mesmo, a transdisciplinaridade na escola?!

IV - Informática e Aprendizagem

JONASSEN (1996) classifica a aprendizagem em:

Aprender a partir da tecnologia (learning from), em que a tecnologia apresenta o conhecimento, e o papel do aluno é receber esse conhecimento, como se ele fosse apresentado pelo próprio professor;

Aprender acerca da tecnologia (learning about), em que a própria tecnologia é objeto de aprendizagem;

Aprender através da tecnologia (learning by), em que o aluno aprende ensinando o computador (programando o computador através de linguagens como BASIC ou o LOGO);

Aprender com a tecnologia (learning with), em que o aluno aprende usando as tecnologias como ferramentas que o apóiam no processo de reflexão e de construção do conhecimento (ferramentas cognitivas). Nesse caso a questão determinante não é a tecnologia em si mesma, mas a forma de encarar essa mesma tecnologia, usando-a sobretudo, como estratégia cognitiva de aprendizagem.

( MARÇAL FLORES - 1996) “A Informática deve habilitar e dar oportunidade ao aluno de adquirir novos conhecimentos, facilitar o processo ensino/aprendizagem, enfim ser um complemento de conteúdos curriculares visando o desenvolvimento integral do indivíduo.”

“As profundas e rápidas transformações, em curso no mundo contemporâneo, estão exigindo dos profissionais que atuam na escola, de um modo geral, uma revisão de suas formas de atuação.” SANTOS VIEIRA

De acordo com LEVY (1994), " novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das comunicações e da Informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação e aprendizagem são capturados por uma Informática cada vez mais avançada.

Para finalizar, BORBA (- 2001) que: “O acesso à Informática deve ser visto como um direito e, portanto, nas escolas públicas e particulares o estudante deve poder usufruir de uma educação que no momento atual inclua, no mínimo, uma‘alfabetização tecnológica’ . Tal alfabetização deve ser vista não como um curso de Informática, mas, sim, como um aprender a ler essa nova mídia. Assim, o computador deve estar inserido em atividades essenciais, tais como aprender a ler, escrever, compreender textos, entender gráficos, contar, desenvolver noções espaciais etc. E , nesse sentido, a Informática na escola passa a ser parte da resposta a questões ligadas à cidadania.”

V - Os Professores e a Informática

Diante dessa nova situação, é importante que o professor possa refletir sobre essa nova realidade, repensar sua prática e construir novas formas de ação que permitam não só lidar, com essa nova realidade, com também construí-la. Para que isso ocorra! O professor tem que ir para o laboratório de informática dar sua aula e não deixar uma terceira pessoa fazer isso por ele.

GOUVÊA “O professor será mais importante do que nunca, pois ele precisa se apropriar dessa tecnologia e introduzi-la na sala de aula, no seu dia-a-dia, da mesma forma que um professor, que um dia, introduziu o primeiro livro numa escola e teve de começar a lidar de modo diferente com o conhecimento – sem deixar as outras tecnologias de comunicação de lado. Continuaremos a ensinar e a aprender pela palavra, pelo gesto, pela emoção, pela afetividade, pelos textos lidos e escritos, pela televisão, mas agora também pelo computador, pela informação em tempo real, pela tela em camadas, em janelas que vão se aprofundando às nossas vistas...”

Más, para o professor apropriar-se dessa tecnologia, devemos segundo FRÓES “mobilizar o corpo docente da escola a se preparar para o uso do Laboratório de Informática na sua prática diária de ensino-aprendizagem. Não se trata, portanto, de fazer do professor um especialista em Informática, mas de criar condições para que se aproprie, dentro do processo de construção de sua competência, da utilização gradativa dos referidos recursos informatizados: somente uma tal apropriação da utilização da tecnologia pelos educadores poderá gerar novas possibilidades de sua utilização educacional.”

Se um dos objetivos do uso do computador no ensino for o de ser um agente transformador, o professor deve ser capacitado para assumir o papel de facilitador da construção do conhecimento pelo aluno e não um mero transmissor de informações.

Mas o professor deve ser constantemente estimulado a modificar sua ação pedagógica. Aí entra a figura do coordenador de Informática, que está constantemente sugerindo, incentivando e mobilizando o professor. Não basta haver um laboratório equipado e software à disposição do professor; precisa haver o facilitador que gerencie o processo o pedagógico.

VI - Os momentos do processo

Vamos observar o processo de introdução da Informática no ambiente escolar através de vários momentos.Muitos devem estar pensando que é pretensão minha dividir esse processo em momentos. Mas o que estou tentando é pontuar alguns desses momentos; além do mais, penso que seja necessária essa visão, para podermos ter a idéia de processo que nos oriente nessa trajetória.

Nesse processo podemos destacar quatro momentos, que apresentam características bem definidas. Não existe, aqui, o objetivo de delimitar cada momento, pois nós, professores, podemos vivenciar características de vários momentos, apesar de sempre um predominar.

Sabemos que, nos dias de hoje, qualquer pessoa deveria, no mínimo, saber manipular um micro; infelizmente essa não é nossa realidade. Os professores atuais estudaram em uma época em que a Informática não fazia parte do dia-a-dia, e, dentre os professores que estamos formando para o futuro, pouco estão sendo preparados para mudar essa realidade.

Ao introduzir-se a Informática educativa, percebe-se um primeiro momento, no qual o professor reproduz sua aula na sala de Informática. É o momento durante o qual a preocupação central é observar a ferramenta.

Esse momento é muito importante e não se deve forçar o professor a uma mudança de atitude diante da potencialidade expressa pelo computador. É o momento do contato, de domínio, em que ele precisa estar seguro diante introdução da Informática. Segundo PENTEADO (2000) : “ Professores devem ser parceiros na concepçãoe condução das atividades com TI ( TecnologiasInformáticas) e não meros espectadores e executores de tarefas.” O importante é que o professor se sinta como uma peça participativa do processo e que a aula continua sendo dele, apesar de ser preparada, na sua forma, por um instrumento estranho ou por outra pessoa. Nesse momento ele observa a Informática como um novo instrumento, um giz diferente! E usa, com mais freqüência, os softwares educacionais existentes na praça.

A mudança ocorre, quando o professor perceber que pode fazer mais do que está acostumado; é o momento em que ele começa a refletir sua prática e percebe o potencial da ferramenta. Nesse momento o professor está vulnerável as mudanças. Ele vai da defesa para a descoberta. É o momento propício para o coordenador de Informática sugerir modificação na sua prática pedagógica.

Nesse segundo momento, as mudanças ocorrem mais na forma de trabalhar a aula. Agora existe uma preocupação de explorar a ferramenta, para ajudar no processo de aprendizagem. É nesse momento que surgem os softwares de autoria, os simuladores e os projetos dos alunos, mas o professor ainda não consegue transcender sua aula. A preocupação se dá ainda com o conteúdo da sua disciplina. Mas, agora, aparece um novo elemento: o descobrir leva a um desafio constante, que leva a sua preocupação para o processo de aprendizagem.

O terceiro momento é marcado pela preocupação com o processo de aprendizagem e pela interdisciplinaridade, existe uma busca de alternativas para tentar reorganizar o saber, dando chance ao aluno de ter uma educação integral.

Entretanto é o momento em que o professor precisa de um apoio da coordenação ou, até mesmo, da direção. É o momento em que necessita de um projeto pedagógico da Escola, a fim de trabalharem juntos.

Diz Ivani Catarina Arantes FAZENDA: “A atitude interdisciplinar não está na junção de conteúdos, nem na junção de métodos; muito menos na junção de disciplinas, nem na criação de novos conteúdos produtos dessas funções; a atitude interdisciplinar está contida nas pessoas que pensam o projeto educativo. Qualquer disciplina, e não especificamente a didática ou estágio, pode ser a articuladora de um novo fazer e de um novo pensar a formação de educador.” (FAZENDA, 1993:64)

É o momento em que o professor passa a usar outras tecnologias, mas, apesar de seu olhar para fora da escola, ainda continua preso a ela. Os softwares de autoria são muito trabalhados, como também a Internet.Porem, ainda do ponto de vista informativo, participa de alguns projetos colaborativos; entretanto busca trabalhar o conteúdo escolar.

HEINECKpropõe: “Os educadores têm que ser capazes de articular os conhecimentos para que o todo comece a ser organizado, e assim inicie-se a superação da disciplinarização, do saber imposto e distante da realidade vivida pelo educando. Uma prática interdisciplinar, certamente contribuirá para o forjamento de cidadãos conscientes de seus deveres e capazes de lutarem por seus direitos com dignidade.”

O quarto momento é marcado pela transcendência além dos muros da escola, escola-bairro, escola-cidade, escola-escola e escola-mundo. É o momento da troca, da comunicação e participação comunitária. É o momento da aprendizagem cooperativa. A preocupação é o processo de aprendizagem, mas voltado para uma interação social. O conteúdo é trabalhado dentro de um contexto, a ênfase é dada à coletividade; a participação política e social , à cidadania.

Como diz LEVY, a construção do conhecimento passa a ser igualmente atribuída aos grupos que interagem no espaço do saber. Ninguém tem a posse do saber,as pessoas sempre sabem algo, o que as tornam importante quando juntas, de forma a fazer uma inteligência coletiva. "É uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências." (LÉVY, 1998, p. 28)

O interessante seria que a escola, como um todo, passasse por esses momentos, todaviao que se percebe hoje é que a maioria das escolas estão no segundo momento. Talvez porfalta de um projeto pedagógico, do apoio de uma pessoa que exerça a função de um coordenador de Informática, ou melhor, de uma vontade política!

VII - O Coordenador do Laboratório de Informática

Como vimos acima, para introduzir a Informática na escola, não basta ter um laboratório equipado, professores treinados e um projeto pedagógico. A experiência mostra que sem a figura do coordenador de Informática o processo “emperra”. Mas quem é esta pessoa? E por que ela é tão importante?

Peça principal do processo, ele não deve ter apenas uma formação técnica. Muitas escolas contratam técnicos pelo seu baixo custo. Esse profissional deve ter uma formação pedagógica, uma experiência de sala de aula. Não necessita ser um pedagogo, mas que tenha um envolvimento com o processo pedagógico. Deve ser capaz de fazer uma ponte entre o potencial da ferramenta (software educativos) com os conceitos a serem desenvolvidos.

O coordenador não é apenas um facilitador, mas o coordenador do processo, ele deve perceber que o momento de mudar de etapas e de propiciar recurso necessários paraimpulsionaras engrenagens do processo, como por exemplo: a formação de professores e recursos necessários, como softwares.

O coordenador de Informática dever estar atento e envolvido com o planejamento curricular de todas as disciplinas, para poder sugerir atividades pedagógicas, envolvendo a Informática. Entretanto, sem apoio da coordenação ou da direção, não terá força para executar os projetos sugeridos.

Em resumo, o coordenador de Informática deve:

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->ter uma visão abrangente dos conteúdos disciplinares e estaratento aos projetos pedagógicos das diversas áreas, verificando sua contribuição;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->conhecer o projeto pedagógico da escola;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->ter uma experiência de sala de aula e conhecimento de várias abordagens de aprendizagem;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->ter a visão geral do processo e estar receptível para as devidas interferências nele;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->perceber as dificuldades e o potencial do professores, para poder instiga-los e ajuda-los;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->mostrar para o professor que o Laboratório de Informática deve ser extensão de sua sala de aula e esta deve ser dada por ele enão por uma terceira pessoa;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->pesquisar e analisar os softwares educativos;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->ter uma visão técnica, conhecer os equipamentos e se manter informado sobre as novas atualizações

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->estar constantemente receptível a situações sociais que possam ocorrer .

<!--[if !supportEmptyParas]--> <!--[endif]-->

VIII - A Internet na escola

O uso da Internet nas escolas está delimitado, em sua maioria na pesquisa de informação. As pessoas esquecem que o grande potencial da Internet é a comunicação. Entretanto, dentro de nossa visão de processo, isso é admissível. Em um primeiro momento, usamos a Internet como ferramentae sua característica mais marcante que é o acesso à informação.

Após um processo de maturação, percebemos que a Internet é mais que isso: passamos a usá-la como uma rede comunicação. Passamos a participar de projetos e eventos colaborativos mundiais, a participar de Listas de Discussão no qual debatemos e trocamos experiências ea usa-la com ferramenta de expressão política e social.

IX - Conclusão

A Informática educacional, como podemos notar, deve fazer parte do projeto político pedagógico da escola, projeto esse que define todas as pretensões da escola em sua proposta educacional.

Podemos, agora, tirar algumas conclusões importantes sobre a introdução da Informática na escola .Ela ocorre:

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->dentro de um processo, com alguns momentos definidos;

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->quando existe a figura do coordenador de informática que articula e gerencia o processo, de modo a buscar os recursos necessários e mobilizar os professores.

<!--[if !supportLists]-->•<!--[endif]-->quando essa introdução está engajada num projeto pedagógico, com o apoio da direção que oferece os recursos necessários.

<!--[if !supportEmptyParas]--> <!--[endif]-->

Referências Bibliográficas

BORBA, Marcelo C. e PENTEADO, Miriam Godoy - Informática e Educação Matemática - coleção tendências em Educação Matemática - Autêntica, Belo Horizonte - 2001

FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Interdisciplinaridade: um projeto em parceria. São Paulo: Loyola, 1993.

FLORES, Angelita Marçal - A Informática na Educação: Uma Perspectiva Pedagógica – monografia- Universidade do Sul de Santa Catarina 1996 - http://www.hipernet.ufsc.br/foruns/aprender/docs/monogr.htm (nov/2002)

FRÓES,Jorge R. M.Educação e Informática: A Relação Homem/Máquina e a Questão da Cognição - http://www.proinfo.gov.br/biblioteca/textos/txtie4doc.pdf

GALLO, Sílvio (1994). Educação e Interdisciplinaridade; Impulso, vol. 7, nº 16. Piracicaba: Ed. Unimep, p. 157-163.

GOUVÊA, Sylvia Figueiredo-Os caminhos do professor na Era da Tecnologia - Acesso Revista de Educação e Informática, Ano 9 - número 13 - abril 1999.

HEINECK, Dulce Teresinha - A Interdisciplinaridade no processo ensino-aprendizagem - http://www.unescnet.br/pedagogia/direito9.htm ( nov/2002)

JONASSEN, D. (1996), "Using Mindtools to Develop Critical Thinking and Foster Collaborationin Schools - Columbus

KERCKHOVE, D.A Pele da Cultura. Lisboa: Relógio d’Água, 1997.

LÉVY, Pierre - A inteligência Coletiva - por uma antropologia do ciberespaço - Edições Loyola, São Paulo , 1998.

LÉVY, Pierre.- As Tecnologias da Inteligência. Editora 34, Nova Fronteira, RJ, 1994.

MARÇAL FLORES, Angelita -monografia: A Informática na Educação: Uma Perspectiva Pedagógica. Universidade do Sul de Santa Catarina - 1996 http://www.hipernet.ufsc.br/foruns/aprender/docs/monogr.htm

PENTEADO, Miriam - BORBA, Marcelo C. - A Informática em ação - Formação de professores , pesquisa e extensão - Editora Olho d´Água, 2000 , p 29.

SANTOS VIEIRA , Fábia Magali - Gerência da Informática Educativa: segundo um pensamento sistêmico - http://www.connect.com.br/~ntemg7/gerinfo.htm (nov/2002)

VALENTE, José Armando. "Informática na educação: a prática e a formação do professor". In: Anais do IX ENDIPE (Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino), Águas de Lindóia,1998p. 1-1

Linguagem da mídia impressa: escrita e visual



Texto de Suzete Venturelli

Ementa do módulo: Estudos teóricos e práticos da relação entre a linguagem escrita e a visual ou do texto e da imagem, desde a invenção da imprensa até o início do século 20, destacando a origem das artes gráficas e as suas principais características no planejamento visual de material impresso.

Apresentação: Este módulo denominado Linguagem da Mídia Impressa: escrita e visual faz parte do esforço de garantir acesso e domínio das linguagens de informação e comunicação a educadores e educandos de escolas públicas brasileiras, como base para a melhoria na qualidade dos processos de ensino e aprendizagem e construção da cidadania. Busca-se a incorporação, diversificação e integração de linguagens, suportes e meios de comunicação, a leitura crítica, a mediação pedagógica, o estímulo à autoria em diferentes mídias, novas competências, novos olhares e novos saberes sobre as mídias, novas possibilidades de expressão, autonomia e criatividade no ensinar e no aprender. Aborda, como tema principal, a programação visual de páginas impressas. Você conhecerá a origem das artes gráficas e as principais características da composição gráfica envolvendo textos e imagens. Além disso, contamos a história da página impressa, destacando o cartaz, pois ele é até hoje um importante meio de divulgação de informações e propaganda cultural, científica e tecnológica. Apresentamos as noções básicas sobre planejamento visual, enfatizando a importância da criação através da tipografia, como o tamanho, peso, estrutura e cor do tipo. Na última etapa buscamos apresentar as principais ferramentas de criação de impressos com a tecnologia digital, que aos poucos vem substituindo alguns processos de criação mecânicos, como prelos pelas impressoras digitais. Como proposta prática descrevemos alguns dos mais importantes recursos dos programas BrOffice.org versão 2.0 e Scribus, para criação de planejamento visual com texto e imagem para mídia impressa. A escolha desses programas foi feita porque são gratuitos e possuem código aberto, para serem modificados por programadores e adaptados para nossa cultura local, se assim desejarmos.

Esperamos que você aprecie o conteúdo aqui exposto e que participe ativamente das propostas contidas nas atividades obrigatórias e opcionais. Estaremos em contato no fórum e em conjunto com os tutores esperamos estar contribuindo efetivamente para sua vida profissional, pois este módulo 4 foi organizado como um processo de ação-reflexão-ação, com enfoque interdisciplinar e teórico-prático no estudo das relações entre a arte e o design para a sua veiculação na mídia impressa, a partir da criação de revistas, jornais e livros, entre outros produtos. Espera-se, assim, que cada participante possa integrar o aprendido na sua prática pedagógica, o que torna necessário que compreendam a importância desse instrumental e desenvolvam as competências fundamentais para sua utilização, contextualizando os estudos e projetos nas situações escolares concretas da instituição em que atua, tomadas como base para a concepção, desenvolvimento de materiais pedagógicos utilizando a mídia impressa e sua veiculação.

Roteiro para o olhar


O pesquisador norte-americano Robert William Ott, da Penn State University, criou o seguinte roteiro para treinar o olhar sobre obras de arte, mas ele pode ser adaptado a atividades ligadas à cultura visual. O diferencial é fazer sempre a relação com a realidade do aluno:

1) Descrever

Para aproveitar tudo o que uma imagem pode oferecer, os olhos precisam percorrer o objeto de estudo com atenção. Dê um tempo para a obra se "hospedar" no cérebro. Em sala de aula, peça que todos descrevam o que veem e elaborem um inventário.

2) Analisar

É hora de perceber os detalhes. As perguntas feitas pelo professor devem ter por objetivo estimular o aluno a prestar atenção na linguagem visual, com seus elementos, texturas, dimensões, materiais, suportes e técnicas.


3) Interpreta

Um turbilhão de ideias vai invadir a classe e você precisa estar atento a todas elas, para aproveitar as diversas possibilidades pedagógicas. Liste-as e eleja com a turma as que correspondam aos objetivos de ensino. Meninos e meninas devem ter espaço para expressar as próprias interpretações, bem como sentimentos e emoções. Mostre outras manifestações visuais que tratem do mesmo tema e estimule-os a fazer comparações (cores, formas, linhas, organização espacial etc.).

4) Fundamentar

Levantadas as questões que balizarão o trabalho, é tarefa dos estudantes buscar respostas.
Elabore junto com eles uma lista com os aspectos que provocam curiosidade sobre a obra, o autor, o processo de criação, a época etc. Ofereça textos de diversas áreas do conhecimento para pesquisa e indique bibliografia e sites para consulta, selecionando os textos de acordo com os interesses e o nível de conhecimento da classe.


5) Revelar

 
Com tantas novidades e aprendizados, a turma certamente estará estimulada a produzir. Discuta com todos como gostariam de expor as ideias que agora têm. Quais são essas ideias e como comunicá-las? É hora criar, desenhar, escrever, fazer esculturas, colagens...



















Título, imagem e legenda




O universo das revistas – diversidade de leituras!


Uma forma de se trabalhar a leitura e posterior produção textual é aproveitar as revistas!

Leve para a sala uma reportagem, selecionada e adequada à idade da turma, que tenha imagem. Para que a classe visualize melhor, é interessante ampliar a página da revista, de modo que todos possam ver ao fixá-la no quadro.

A princípio, questione os alunos sobre as revistas que têm em casa, se leem alguma, se há alguma que gostam mais, etc. Nesta ocasião, também é bom explicar a diferença entre os tipos de revistas que, no geral, acompanham o assunto tratado: saúde, política, lazer, guia de informação, esportes, informações gerais, e assim por diante.

Após essa conversa, mostre a página que escolheu para a turma e pergunte: que tipo de revista vocês acham que tem esta reportagem? Neste momento, estará trabalhando a associação imagem/tema abordado.

Então, após alguns palpites, convide os estudantes a observar o título, a imagem e a legenda. Leia junto com a turma o título e a legenda e desperte o interesse dos alunos com novas questões: É possível fazer uma leitura da imagem? O que a imagem diz para nós? Qual a relação entre a imagem e o título do texto? Qual a relação da imagem e da legenda?

Depois de argumentarem e debaterem o assunto, finalize com um questionamento: Agora que nós lemos, observamos e debatemos esse texto, qual é o tema? Ou seja, sobre o que este texto vai falar?

Por associação a tudo que foi visto anteriormente, os alunos tentarão descobrir a temática textual. Mesmo que um aluno acerte, sem dizer nada, distribua o texto xerocado (não se esqueça de colocar a fonte, o nome da revista) e, para terminar, proponha a leitura do mesmo.

Para fixar melhor este conteúdo, em uma próxima oportunidade, você poderá levar uma figura aleatória e solicitar aos alunos que elaborem um título, legenda e um pequeno texto com base na imagem.

Em uma próxima aula, entregue revistas aos alunos e trabalhe outros aspectos, como: índice, rodapé, capa, propagandas, apresentação da revista, etc.



Por Sabrina Vilarinho

Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola









O uso de fotos em sala de aula

As escolhas do fotógrafo influem na nossa compreensão da situação registrada.

O uso de fotografias em sala de aula constitui uma das mais instigantes experiências reflexivas hoje utilizadas. No entanto, o uso dessas imagens passa muitas vezes despercebido no cotidiano escolar, configurando um aspecto meramente decorativo ou reforçador daquilo que já foi ensinado durante uma aula. No entanto, haveria uma maneira de se deslocar essa função secundária destinada às fotos?

Para isso, é necessário que o professor tenha o interesse de discutir junto aos seus alunos a função histórica que a fotografia possui na compreensão da realidade. Quando inventada, a fotografia passou a ser considerada uma verdadeira revolução das artes, pois com ela o homem teria a mais fiel reprodução do mundo que o cerca. No entanto, com o passar do tempo, a ideia de que as fotos somente registram o real perderam espaço para uma compreensão mais artística desse novo feito.

Mesmo tendo caráter instantâneo mediante uma situação vivida, a fotografia não deixa de ter uma leitura própria do mundo. O fotógrafo, ao utilizar suas lentes, não coloca em uso a simples funcionalidade de um instrumento automático. Cada vez que clica (e eterniza) uma determinada situação, o fotógrafo realiza uma série de escolhas que influem diretamente sobre a maneira que podemos compreender a situação enquadrada pelas lentes.

A mais importante dessas decisões envolve o próprio ato de fotografar. Ao escolher um determinado cenário, o fotógrafo não se lança a uma série de cliques indiscriminados. É importante ressaltar que o registro envolve uma escolha. Por isso, ao analisar uma foto em sala é importante que o professor saliente a maior número de dados possíveis sobre quando e onde o fotógrafo decidiu tomar uma foto. Outra importante questão é salientar dados biográficos sobre quem tirou essa mesma foto.

Partindo do autor para a foto em si, o professor pode destacar sobre como a câmera agiu no enquadramento de uma situação. Dessa maneira, é importante pensar sobre o espaço gasto em cada um dos elementos que compõe a foto. Esse tipo de questão muitas vezes salienta qual informação foi considerada mais importante na imagem. Para compreender melhor esse ponto, pode-se levar à sala duas fotos de um mesmo evento.

Para exemplificar essa questão, o professor pode fazer uso da foto de Finbarr O´Reilly que, no ano de 2005, ganhou o premio World Press Photo. Sem antes mostrar a foto em si, os alunos podem entrar em contato com algum texto informativo ou reportagem que relate sobre a crise de abastecimento que assolou a Nigéria em 2005. Sem dar maiores explicações, peça para que os alunos descrevam o que eles sentiram ao ler as informações contidas no texto.

Depois disso, reserve alguns minutos para que a sala observe a foto tirada por Finbarr O´Reilly.

Após os alunos observarem a foto, peça para que os mesmos digam qual fonte de informação foi mais impactante. Depois disso, peça para que eles registrem quais elementos mais chamaram a atenção na foto de O´Reilly e porque eles acharam determinados elementos mais interessantes. Dessa maneira, os alunos podem iniciar um trabalho de interpretação que coloca as imagens como forma de compreensão das experiências vividas no passado e no presente.

Por Rainer Sousa

Graduado em História

Equipe Brasil Escola

MONITORAMENTO E A AVALIAÇÃO: COMO PROCESSO DE MELHORIA DA QUALIDADE DE ENSINO O monitoramento e a avaliação da aprendizagem são processos...