terça-feira, 6 de outubro de 2026

Dinâmica: “Mude a Rota!”

Objetivo Levar os professores a refletirem sobre como uma atividade pode ser reorganizada para contemplar diferentes formas de aprender, sem diminuir o objetivo de aprendizagem. Materiais • Cartões com situações-problema; • folhas ou cartolinas; • canetas; • cartões com as três “portas” do DUA: o Representação – Como o estudante acessa a informação? o Ação e expressão – Como ele demonstra o que aprendeu? o Engajamento – O que o envolve e o motiva? 1. Embarque – “Todos no mesmo ônibus?” Divida os professores em pequenos grupos e entregue a todos a mesma atividade tradicional. Por exemplo: “Leia o texto e responda às cinco questões propostas.” Peça que observem a atividade e respondam: “Será que todos os nossos estudantes conseguem realizar essa atividade da mesma maneira?” Não dê a resposta ainda. 2. O desafio – “Mude a rota!” Agora entregue aos grupos uma missão: O destino é o mesmo, mas vocês precisam criar novas rotas para chegar até ele. Cada grupo deverá transformar a atividade utilizando pelo menos duas das três portas do DUA. Por exemplo: Representação: O texto poderá ser apresentado também por meio de imagens, áudio, palavras-chave, esquema ou leitura compartilhada. Ação e expressão: O estudante poderá responder escrevendo, desenhando, organizando cartões, gravando áudio, explicando oralmente etc. Engajamento: Relacionar o texto à realidade dos estudantes, oferecer escolhas, trabalhar em dupla ou criar um desafio. 3. O “Passaporte da Aprendizagem” Cada grupo apresenta sua nova rota. Depois da apresentação, você pergunta: “Nós mudamos o destino?” Eles provavelmente responderão: “Não.” Então você provoca: “O objetivo de aprendizagem continuou o mesmo. O que mudou?” E conduz para a conclusão: Mudamos os caminhos, não o direito de aprender. Fechamento Você pode finalizar dizendo: “No Passaporte para o Futuro, nossa missão não é fazer todos os estudantes percorrerem a mesma estrada. É garantir que todos tenham caminhos possíveis para chegar à aprendizagem.” E então: PRÓXIMA PARADA: APRENDER! Um destino. Diferentes caminhos. Todos podem avançar.

Entre o Mundo Digital e o Mundo Concreto: Desafios para uma Educação Inclusiva - FORUM Curso de Aperfeiçoamento em Educação em Direitos Humanos, Diversidades e Educação Midiática: Construindo Experiências Formativas a partir de Práticas e Vivências com a Educação Básica

A presença cada vez maior das telas no cotidiano de crianças e adolescentes traz novas demandas para a escola. Mais do que discutir se a tecnologia é boa ou ruim, precisamos compreender como seu uso tem interferido no tempo, na atenção, na aprendizagem e nas relações. A hiperexposição midiática tem provocado mudanças significativas no cotidiano de crianças e adolescentes e, consequentemente, traz novos desafios para a escola. Entre os aspectos que mais merecem atenção estão o excesso de tempo diante das telas, a dificuldade de concentração, as mudanças nas relações interpessoais, a exposição da intimidade e da imagem, os impactos na autoestima e na saúde emocional, além da ocorrência de cyberbullying, circulação de informações falsas, contato com conteúdos inadequados e conflitos que começam no ambiente virtual e acabam chegando ao espaço escolar. Percebo que não se trata apenas de uma questão relacionada ao uso da tecnologia, mas de compreender como o mundo digital vem modificando comportamentos, formas de comunicação, aprendizagem e convivência. Na realidade escolar em que atuo, essas questões aparecem principalmente nas relações entre os estudantes, na dificuldade de manter a atenção em determinadas atividades, na necessidade de estímulos cada vez mais rápidos e na influência das redes sociais sobre a maneira como os adolescentes se percebem e se relacionam com os outros. Muitas vezes, situações iniciadas no ambiente virtual repercutem diretamente na escola, exigindo dos profissionais uma postura de escuta, mediação e orientação. Nesse contexto, a comunidade escolar precisa compreender que o mundo digital já faz parte da vida dos estudantes e que não é possível simplesmente separá-lo do mundo concreto. O desafio consiste em estabelecer uma relação mais consciente, equilibrada, segura e responsável com as tecnologias, fortalecendo também a participação das famílias nesse processo. Considero que o contexto trazido pelo ECA Digital amplia a responsabilidade da escola, pois nos convida a pensar a proteção de crianças e adolescentes também diante dos riscos presentes no ambiente digital. Em nossa prática pedagógica, é necessário avançar para além da utilização instrumental das tecnologias e trabalhar questões como privacidade, proteção da imagem, respeito, responsabilidade, cidadania digital, segurança, pensamento crítico e convivência. Isso precisa estar presente no planejamento de forma transversal, articulado aos conteúdos e às situações reais vivenciadas pelos estudantes. Ao mesmo tempo, reconheço que esse é um processo que ainda precisa ser fortalecido, especialmente por exigir formação continuada dos profissionais e uma maior aproximação entre escola, família e comunidade. Essa reflexão também está diretamente relacionada à inclusão. A escola precisa reconhecer que não existe um estudante padrão e que cada sujeito chega ao espaço educativo com diferentes histórias de vida, ritmos, necessidades, potencialidades e experiências, inclusive em relação ao acesso e ao uso das tecnologias. Nesse sentido, planejar de forma inclusiva significa antecipar barreiras, diversificar estratégias, materiais e formas de participação e garantir que todos possam aprender e se expressar. O uso consciente dos recursos digitais pode, inclusive, ampliar possibilidades de acessibilidade, comunicação e aprendizagem, desde que não desconsidere aqueles que possuem acesso limitado ou diferentes necessidades educacionais. O material disponibilizado no tópico “Conexões” contribui justamente para ampliar esse olhar, ajudando-nos a relacionar os desafios do mundo digital com o planejamento pedagógico e com a realidade concreta dos estudantes. Ele pode subsidiar momentos de estudo e formação da equipe escolar, provocar discussões com os estudantes e as famílias e inspirar atividades que abordem temas como cidadania digital, proteção, respeito, convivência, segurança e uso responsável das tecnologias. Dessa forma, compreendo que o grande desafio colocado para a escola não é simplesmente controlar ou proibir o uso das telas, mas educar para que crianças e adolescentes desenvolvam autonomia, consciência crítica e responsabilidade diante do mundo digital. Precisamos ajudá-los a compreender que estar conectado não significa estar sempre disponível, que a tecnologia pode ser uma ferramenta de aprendizagem e participação, mas não deve substituir o brincar, o diálogo, o movimento, a convivência presencial, a leitura, a criatividade e as experiências concretas. Assim, uma escola verdadeiramente inclusiva e contemporânea é aquela que reconhece os impactos do mundo digital, protege seus estudantes e, ao mesmo tempo, cria condições para que eles aprendam a transitar de forma ética, segura, crítica e equilibrada entre o mundo digital e o mundo concreto.

Poema “Do velho ao jovem”, de Conceição Evaristo

Na face do velho as rugas são letras, palavras escritas na carne, abecedário do viver. Na face do jovem o frescor da pele e o brilho dos olhos são dúvidas. Nas mãos entrelaçadas de ambos, o velho tempo funde-se ao novo, e as falas silenciadas explodem. O que os livros escondem, as palavras ditas libertam. E não há quem ponha um ponto final na história Infinitas são as personagens… Vovó Kalinda, Tia Mambene, Primo Sendó, Ya Tapuli, Menina Meká, Menino Kambi, Neide do Brás, Cíntia da Lapa, Piter do Estácio, Cris de Acari, Mabel do Pelô, Sil de Manaíra, E também de Santana e de Belô e mais e mais, outras e outros… Nos olhos do jovem também o brilho de muitas histórias. e não há quem ponha um ponto final no rap É preciso eternizar as palavras da liberdade ainda e agora…

CRÔNICA NAQUELA MANHÃ - PRODITEC

Naquela manhã, a escola parecia igual a todas as outras: alunos chegando apressados, professores organizando o dia, o sinal marcando o início das aulas. Mas, em alguns cantos, havia silêncios que diziam mais do que qualquer conversa. Ela caminhava pelos corredores tentando não chamar atenção. Dentro de si, carregava um peso que não estava nos livros nem na mochila. Era um medo constante, que não ficava em casa quando ela saía — ele vinha junto, sentado ao lado, invisível para muitos. Na escola, nem sempre alguém percebia. Alguns colegas até notavam mudanças no comportamento: o isolamento, o olhar distante, a dificuldade de concentração. Mas muitas vezes isso era visto como “falta de interesse” ou “desatenção”, e não como um sinal de algo maior. Outros preferiam não se envolver, achando que era assunto de família. E assim, o silêncio também se tornava parte do ambiente escolar. Havia professores atentos, que tentavam escutar nas entrelinhas, que percebiam quando algo não ia bem. Mas nem sempre era fácil identificar ou saber como agir. A violência, quando existe, não fica apenas na casa da vítima — ela atravessa a porta da escola junto com ela, se manifesta na dificuldade de aprender, na ausência de participação, na tristeza que ninguém consegue explicar direito. Dentro dela, sentimentos se misturavam. Medo de falar e não ser acreditada. Vergonha de expor algo tão íntimo. Culpa, mesmo sem ter culpa alguma. E, ao mesmo tempo, uma pequena esperança de que alguém percebesse, de que alguém perguntasse “você está bem?” e realmente quisesse ouvir a resposta. Nas conversas entre professores, nos relatos de colegas, nas formações e reflexões, começava a surgir outra consciência: a de que a escola não pode ser apenas um espaço de ensino, mas também de escuta e proteção. Porque quando a violência chega ao ambiente escolar, ela exige olhar atento, acolhimento e ação. E foi nesse espaço — entre o silêncio e a fala, entre o medo e a escuta — que se entendeu algo importante: a escola pode, sim, ser o lugar onde o ciclo começa a se romper. Não de forma imediata ou simples, mas quando alguém decide não ignorar os sinais. Porque, às vezes, tudo começa com uma pergunta que parece pequena, mas muda tudo: “o que você está vivendo?”

A Relação com o Saber: Aprendizagem, Sentido e Formação Humana ( FORUM - PRODITEC)

Caros colegas, refletir sobre Bernard Charlot nos ajuda a compreender a aprendizagem para além da simples aquisição de conteúdos escolares. Essa perspectiva nos convida a pensar o aprender como um processo de construção de sentido sobre o mundo e sobre nós mesmos, sempre mediado pelas relações humanas e sociais. A afirmação de Bernard Charlot (2000) de que não há saber sem Relação com o Saber (RcS) nos leva a compreender que aprender não é apenas adquirir conteúdos escolares, mas construir sentido sobre o mundo e sobre si mesmo. O saber não existe isoladamente; ele sempre está ligado ao sujeito que aprende, às suas experiências, à cultura e às interações com outras pessoas. Quando Charlot afirma que nascer é ver-se submetido à obrigação de aprender, ele destaca que o ser humano é um ser inacabado, que precisa aprender para se tornar humano. Diferente de outros seres vivos, nós dependemos da convivência com os outros para aprender a falar, pensar, agir e compreender o mundo. Assim, o saber é inerente à condição humana, pois desde o nascimento começamos a aprender por meio das relações familiares, sociais e culturais. Nessa perspectiva, a aprendizagem não acontece apenas na escola. A criança aprende na família, na comunidade e em todas as experiências que vivencia. A escola, então, tem o papel de organizar e ampliar esses saberes, ajudando o aluno a dar significado ao que aprende. Por isso, a Relação com o Saber envolve: • O sujeito (quem aprende e sua história de vida); • O outro (quem ensina e compartilha saberes); • O mundo (o contexto cultural e social onde o saber ganha sentido). Refletindo sobre essa ideia, podemos compreender que ensinar não é apenas transmitir conteúdos, mas criar condições para que o aluno estabeleça uma relação significativa com o conhecimento. Quando o estudante percebe sentido no que aprende, ele se envolve mais e constrói aprendizagens mais profundas. De tal modo, a afirmação de Charlot nos lembra que: • Aprender é parte da condição humana; • O saber se constrói nas relações; • O aluno precisa encontrar sentido no que aprende; • Ensinar é mediar a relação entre o sujeito e o saber. Na prática pedagógica, isso significa valorizar os conhecimentos prévios dos alunos, suas vivências e sua cultura, pois é a partir dessas relações que o saber escolar ganha significado e contribui para a formação humana. Referência: CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Reflexão sobre a Política de Educação Integral ( Atividade do PRODITEC)

Caros colegas! Refletir sobre a Política de Educação Integral: tempos e espaços escolares é pensar em uma educação que compreenda o estudante em sua totalidade, considerando não apenas os aspectos cognitivos, mas também os aspectos sociais, emocionais, culturais, físicos e éticos do desenvolvimento humano. Nesse sentido, a educação integral vai além da ampliação da carga horária escolar, pois envolve a construção de práticas pedagógicas significativas, capazes de promover aprendizagens em diferentes tempos, espaços e experiências educativas. O conceito de educação integral pode ser articulado com a definição de escola de tempo integral na medida em que ambos buscam ampliar as oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento dos estudantes. No entanto, é importante compreender que educação integral e escola de tempo integral não são sinônimos. A escola de tempo integral refere-se à ampliação do tempo de permanência do estudante na escola, enquanto a educação integral diz respeito à formação humana em todas as suas dimensões. Assim, uma escola pode funcionar em tempo integral sem necessariamente desenvolver uma proposta de educação integral, caso mantenha práticas tradicionais centradas apenas na transmissão de conteúdos. Por outro lado, uma escola com jornada parcial também pode desenvolver práticas de educação integral quando valoriza diferentes espaços educativos, promove participação dos estudantes, integra família e comunidade, trabalha projetos interdisciplinares e reconhece as múltiplas dimensões do desenvolvimento humano. Dessa forma, o mais importante não é apenas ampliar o tempo, mas qualificar os tempos e espaços escolares. No município e no estado onde atuamos, a temática da educação integral em tempo integral vem ganhando maior destaque principalmente após as políticas nacionais de ampliação das escolas de tempo integral e das discussões relacionadas à recomposição das aprendizagens no período pós-pandemia. Observa-se uma preocupação crescente com: • a ampliação da jornada escolar; • o fortalecimento das práticas pedagógicas integradoras; • a valorização das competências socioemocionais; • a integração entre escola, família e comunidade; • o uso de diferentes espaços educativos; • a oferta de atividades culturais, esportivas e tecnológicas. Entretanto, ainda existem muitos desafios para que a educação integral se efetive plenamente. Entre eles, destacam-se: • limitações de infraestrutura; • necessidade de formação continuada dos professores; • dificuldades de financiamento; • carência de espaços adequados; • necessidade de reorganização curricular; • ampliação da participação da comunidade escolar. Mesmo diante desses desafios, em Nova Soure, temos escolas com educação em tempo integral que já apresentam experiências importantes de educação integral: com ioga, educação tecnologia, dança, aula de música e utilizam: • projetos interdisciplinares; • hortas escolares; • atividades culturais; • práticas esportivas; • espaços externos; • ações de convivência e protagonismo estudantil. Assim, pensar a política de educação integral exige compreender a escola como um espaço de formação humana ampla, democrática e inclusiva, no qual os estudantes possam aprender, conviver, participar, explorar, expressar-se e desenvolver-se integralmente. Atenciosamente Kelly Levy

Política de Educação Integral: Tempos e Espaços Escolares

O texto de Maria Cecília Luiz analisa a Política de Educação Integral no Brasil, distinguindo o simples aumento da carga horária da formação multidimensional do estudante. A autora defende que a verdadeira educação integral deve abranger aspectos cognitivos, afetivos e sociais, utilizando os espaços e tempos escolares como ferramentas de cidadania. O conteúdo percorre o panorama legal, citando marcos como a LDB, o ECA e o Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para a expansão do ensino em tempo integral. Além disso, destaca-se o Programa Escola em Tempo Integral, instituído em 2023, que oferece suporte técnico e financeiro para estados e municípios ampliarem suas matrículas. Por fim, a obra enfatiza o papel dos gestores escolares e a necessidade de práticas pedagógicas que reconheçam o aluno como um ser completo e plural. Qual a diferença entre educação integral e tempo integral? Como as leis brasileiras orientam a educação em tempo integral? Quais são os principais desafios para implementar essa política escolar? Hoje • 16:22 Discuss what these sources say about Programa Escola em Tempo Integral, in the larger context of Política de Educação Integral: Tempos e Espaços Escolares. O Programa Escola em Tempo Integral (Lei nº 14.640/2023) é apresentado nas fontes como uma iniciativa estratégica para fomentar a criação de matrículas em tempo integral em todas as etapas da educação básica, sempre sob a perspectiva da educação integral. No contexto mais amplo da "Política de Educação Integral: Tempos e Espaços Escolares", o programa busca não apenas ampliar as horas de permanência do aluno, mas garantir que esse tempo seja utilizado para o desenvolvimento pleno do cidadão. Abaixo, detalho os principais pontos discutidos nas fontes sobre a relação entre o Programa e a Política de Educação Integral: 1. Distinção entre Tempo Integral e Educação Integral As fontes enfatizam que educação integral e tempo integral não são sinônimos. Enquanto o "tempo integral" refere-se à dimensão quantitativa (jornada igual ou superior a 7 horas diárias), a "educação integral" é uma concepção qualitativa que visa o desenvolvimento do sujeito em todas as suas dimensões: cognitiva, afetiva, social, física e cultural. O Programa Escola em Tempo Integral é o mecanismo para que a ampliação da jornada escolar (tempo) sirva como meio para efetivar a educação integral. 2. Base Legal e Metas Nacionais O programa é um instrumento para o cumprimento da Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que estabelece o oferecimento de educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, atendendo pelo menos 25% dos alunos da educação básica. Ele se alinha também a marcos como a Constituição Federal, a LDB e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que reconhece a educação integral como um de seus fundamentos. 3. Eixos de Atuação e Implementação Coordenado pelo MEC, o programa oferece assistência técnica e financeira aos entes federados e é estruturado em cinco eixos fundamentais: • Ampliar: Focar no aumento do número de matrículas. • Formar: Perspectivas formativas para os profissionais. • Fomentar: Apoio financeiro e técnico. • Entrelaçar: Articulação de ações estratégicas. • Acompanhar: Monitoramento e avaliação da política. 4. Gestão e Espaços Educativos A implementação do programa exige que estados e municípios elaborem suas próprias políticas, aprovadas pelos respectivos Conselhos de Educação. Além disso, a Política de Educação Integral proposta desafia a escola a repensar seus espaços, integrando o território (rua, bairro, cidade) como parte da rede educadora e promovendo práticas intersetoriais com áreas como saúde, cultura e esportes. 5. Foco na Equidade e Qualidade O programa prioriza escolas que atendem estudantes em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica. O objetivo é superar o caráter puramente "assistencialista" de manter o aluno na escola, focando na garantia do direito à educação de qualidade e na construção de uma "escola cidadã, inclusiva e democrática". Quais são os cinco eixos estruturantes do Programa? Como o Programa evita o caráter assistencialista na educação? Qual o papel dos territórios educativos fora da escola? Discuss what these sources say about Gestão e Implementação Escolar, in the larger context of Política de Educação Integral: Tempos e Espaços Escolares. A gestão e a implementação escolar no contexto da Política de Educação Integral são apresentadas nas fontes como processos complexos e processuais que exigem uma redefinição das práticas administrativas e pedagógicas. No âmbito da "Política de Educação Integral: Tempos e Espaços Escolares", a gestão não se limita apenas ao controle administrativo, mas torna-se um agente de articulação para o desenvolvimento integral do estudante. Abaixo, os principais pontos destacados nas fontes sobre a gestão e implementação: 1. O Papel Central do Projeto Político Pedagógico (PPP) e do Currículo A implementação efetiva da educação integral exige que a ampliação do tempo seja discutida e refletida coletivamente durante a elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) e do currículo da escola. É no PPP que devem estar descritas as ações e intervenções de experiências extraescolares, garantindo que o tempo ampliado tenha significado educativo e não seja apenas uma extensão da jornada. 2. Gestão Democrática e Participação Social As fontes enfatizam que a implementação deve ocorrer por meio de uma gestão democrática e integrada. Isso envolve: • Conselhos Escolares: Incentivo à participação da comunidade nas decisões da escola. • Conselhos de Educação: Atuam na aprovação e acompanhamento da Política de Educação em Tempo Integral de cada ente federado, zelando pela qualidade da organização curricular e da infraestrutura. • Escuta Ativa: A gestão deve exercitar a escuta ativa e dar "voz e vez" aos estudantes, considerando seus interesses e necessidades. 3. Desafios de Implementação e Planejamento A implementação é vista como um processo que deve ser planejado em curto, médio e longo prazos pelas Secretarias de Educação e gestores escolares. Para o estabelecimento progressivo dessa política, o MEC define que a gestão deve estruturar: • Equipes técnicas responsáveis na secretaria. • Fontes de financiamento e orçamento. • Organização dos espaços e da jornada dos profissionais da educação. • Estratégias de monitoramento e avaliação. 4. Gestão Intersetorial e Redes Educadoras Uma gestão eficiente na perspectiva da educação integral deve ser capaz de dialogar com o território. Isso significa pensar a rua, o bairro e a cidade como espaços educativos, criando redes educadoras. A implementação envolve a articulação intersetorial, conectando a escola a outras pastas como saúde, assistência social, cultura e esportes. 5. Formação e Mentoria de Diretores A gestão escolar é desafiada a superar a visão de "conteudismo" para focar na integralidade do ser humano. Nesse sentido, as fontes mencionam a importância de uma cultura colaborativa e de programas como a Mentoria de Diretores, que oferecem subsídios teóricos e práticos para que os gestores consigam liderar a transição para o modelo de tempo integral com foco na equidade e na qualidade. Em suma, a implementação da educação integral não é uma tarefa simples, exigindo que a gestão escolar atue de forma processual, transformando a escola em um local democrático, inclusivo e adequado às demandas reais dos alunos e de suas famílias

Interpretação da canção “Coração Civil”, de Milton Nascimento, à luz do pensamento de Jean-Jacques Rousseau.

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO: ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E DIVERSIDADES Universidade Federal de Goiás A canção “Coração Civil”, de Milton Nascimento, apresenta uma reflexão sobre cidadania, esperança, solidariedade e compromisso coletivo com a construção de uma sociedade mais justa. O que possibilita a realização de estabelecer um paralelo com a perspectiva do pensamento de Jean-Jacques Rousseau, logo, que a música pode ser compreendida como um convite para que o povo exerça seu papel de sujeito ativo na vida política e na busca pelo bem comum. Segundo Rousseau (1999), a soberania pertence ao povo e não pode ser alienada nem representada de forma permanente. Para o filósofo, "a soberania, pela mesma razão por que é inalienável, é indivisível" (ROUSSEAU, 1999, p. 43). Assim, o poder político somente é legítimo quando expressa a vontade geral, entendida como a vontade voltada para o interesse coletivo e não para interesses particulares. A canção evidencia a importância da participação dos cidadãos na construção de uma sociedade democrática. A expressão "coração civil" simboliza o compromisso ético e político de cada indivíduo com a coletividade, reforçando a ideia de que a transformação social depende da participação consciente do povo. Essa interpretação dialoga com Rousseau (1999), para quem a liberdade política consiste em participar da elaboração das leis às quais todos estarão submetidos. Como afirma o autor: "A obediência à lei que se prescreveu a si mesmo é liberdade" (ROUSSEAU, 1999, p. 32). Outro aspecto presente na música é a defesa da inclusão social. A canção transmite a ideia de uma sociedade em que todos tenham oportunidades de participar da vida pública e de exercer plenamente sua cidadania. Para Rousseau, a igualdade é condição indispensável para a liberdade política, pois as desigualdades excessivas comprometem o exercício da vontade geral. Dessa forma, a participação efetiva somente ocorre quando todos possuem condições de exercer seus direitos em igualdade de oportunidades. Além disso, a obra de Milton Nascimento transmite esperança na capacidade coletiva de transformar a realidade por meio da união, da solidariedade e da participação democrática. Essa perspectiva aproxima-se da concepção rousseauniana de contrato social, segundo a qual cada cidadão integra o corpo político e participa da construção das decisões coletivas, fortalecendo a democracia e o bem comum. A canção também permite refletir sobre a cidadania como prática cotidiana. Mais do que votar, ser cidadão significa participar das decisões públicas, defender direitos, respeitar as diferenças e contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva. Esses valores são coerentes com a filosofia política de Rousseau, que compreende o cidadão como sujeito ativo na construção do Estado e da vida em comunidade. Conclui-se que “Coração Civil” expressa valores compatíveis com o pensamento de Jean-Jacques Rousseau ao destacar a soberania popular, a participação política, a igualdade e a inclusão social como fundamentos da democracia. A música evidencia que a construção de uma sociedade democrática depende do compromisso permanente dos cidadãos com o bem comum, a justiça social e a participação coletiva. Referências NASCIMENTO, Milton. Coração Civil. Intérprete: Milton Nascimento. In: Milton Nascimento. Rio de Janeiro: Ariola, 1981. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os Pensadores).

Descolonizar para Diversificar: Desafios e Possibilidades de um Currículo Antirracista

Forum realizado no curso de Especialização Direitos Humanos e diversidade da UFG. Na disciplina: Educação e relações etnicos- raciais. A construção de um currículo que valorize a diversidade étnico-racial exige o enfrentamento de desafios históricos relacionados ao racismo, ao eurocentrismo e à invisibilização de diferentes sujeitos e saberes. Nesse sentido, a descolonização dos currículos, discutida por Nilma Lino Gomes, implica questionar a ideia de que existe apenas uma forma legítima de produzir conhecimento e reconhecer que o currículo é atravessado por relações de poder. Um dos principais desafios é superar a presença de uma perspectiva predominantemente eurocêntrica nos conteúdos, materiais didáticos e práticas pedagógicas. Esse modelo pode contribuir para o silenciamento de histórias, culturas e conhecimentos de povos africanos, afro-brasileiros e indígenas. Nesse aspecto, o conceito de epistemicídio, discutido por Sueli Carneiro, ajuda a compreender como determinados conhecimentos e sujeitos podem ser desvalorizados ou apagados, produzindo desigualdades também no campo do conhecimento. Outro desafio está relacionado ao que Chimamanda Ngozi Adichie denomina “o perigo de uma história única”. Quando a escola apresenta determinados povos e culturas somente a partir de uma perspectiva limitada, pode reforçar estereótipos e produzir representações incompletas sobre esses grupos. Por isso, é necessário ampliar as narrativas presentes no currículo, apresentando a população negra, os povos indígenas e outros grupos historicamente marginalizados como sujeitos diversos, produtores de conhecimento, cultura, ciência, arte e história. Apesar dos desafios, existem importantes possibilidades. A escola pode construir um currículo mais plural por meio da valorização das diferentes epistemologias, da inclusão de autores e intelectuais negros e indígenas, da utilização de materiais didáticos que representem a diversidade e da abordagem da história e da cultura africana, afro-brasileira e indígena de forma contínua e não apenas em datas comemorativas. Também é fundamental investir na formação dos professores para que possam reconhecer o racismo, problematizar estereótipos e desenvolver práticas pedagógicas antirracistas. A interdisciplinaridade constitui outra possibilidade, permitindo que as relações étnico-raciais estejam presentes em diferentes áreas do conhecimento e não restritas a uma única disciplina ou projeto. Portanto, construir um currículo que valorize a diversidade étnico-racial significa mais do que acrescentar novos conteúdos. Significa transformar a maneira como conhecimentos, sujeitos e histórias são selecionados, apresentados e reconhecidos pela escola. Descolonizar o currículo é, assim, ampliar vozes, combater o epistemicídio e superar a história única, criando uma educação que reconheça a diversidade como elemento fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e antirracista.

Educação e conhecimento em movimento: Reflexões teóricas e práticas – Volume 1

É com muita alegria que compartilho no EducarVivendo quatro produções que representam parte da minha trajetória de estudos, pesquisas e experiências no campo da educação. Os capítulos foram construídos em parceria com Jecilene Barreto Coutinho Muniz, José Domingos Oliveira e Osvaldineide Pereira de Oliveira Reis, reunindo reflexões que dialogam com desafios presentes na educação brasileira e, especialmente, com diferentes dimensões da educação na Bahia. 📖 Capítulo 2 – A importância da alfabetização para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) 📖 Capítulo 6 – Educação Integral: trajetória e desafios de implementação nas políticas públicas 📖 Capítulo 7 – Acessibilidade tecnológica e inclusão social: desafios na diversidade da educação da Bahia São temas que atravessam minha caminhada profissional e acadêmica e reafirmam uma convicção que carrego comigo: a educação é movimento, diálogo, conhecimento e possibilidade de transformação. Compartilhar essas produções é também uma forma de democratizar o conhecimento, provocar reflexões e fortalecer o diálogo entre teoria e prática, valorizando experiências, pesquisas e diferentes caminhos para pensar a educação. Que estas leituras possam inspirar novos olhares, suscitar perguntas e contribuir para a construção de uma educação mais inclusiva, democrática, diversa e comprometida com a transformação social. 🌻 Educar é também viver, refletir, compartilhar e transformar. Sejam todos e todas bem-vindos(as) a mais uma página dessa caminhada no EducarVivendo! https://editora.realconhecer.com.br/2026/01/educacao-e-conhecimento-em-movimento.html

Da leitura do mundo à leitura das mídias: um olhar freiriano sobre a educação contemporânea

https://eventos.ufu.br/sites/eventos.ufu.br/files/documentos/anais_2o_encontro_cartas_pedagogicas_com_ficha.pdf

Dinâmica: “Mude a Rota!”

Objetivo Levar os professores a refletirem sobre como uma atividade pode ser reorganizada para contemplar diferentes formas de aprender, se...