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terça-feira, 6 de outubro de 2026
Interpretação da canção “Coração Civil”, de Milton Nascimento, à luz do pensamento de Jean-Jacques Rousseau.
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO: ESPECIALIZAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS E DIVERSIDADES
Universidade Federal de Goiás
A canção “Coração Civil”, de Milton Nascimento, apresenta uma reflexão sobre cidadania, esperança, solidariedade e compromisso coletivo com a construção de uma sociedade mais justa. O que possibilita a realização de estabelecer um paralelo com a perspectiva do pensamento de Jean-Jacques Rousseau, logo, que a música pode ser compreendida como um convite para que o povo exerça seu papel de sujeito ativo na vida política e na busca pelo bem comum.
Segundo Rousseau (1999), a soberania pertence ao povo e não pode ser alienada nem representada de forma permanente. Para o filósofo, "a soberania, pela mesma razão por que é inalienável, é indivisível" (ROUSSEAU, 1999, p. 43). Assim, o poder político somente é legítimo quando expressa a vontade geral, entendida como a vontade voltada para o interesse coletivo e não para interesses particulares.
A canção evidencia a importância da participação dos cidadãos na construção de uma sociedade democrática. A expressão "coração civil" simboliza o compromisso ético e político de cada indivíduo com a coletividade, reforçando a ideia de que a transformação social depende da participação consciente do povo. Essa interpretação dialoga com Rousseau (1999), para quem a liberdade política consiste em participar da elaboração das leis às quais todos estarão submetidos. Como afirma o autor: "A obediência à lei que se prescreveu a si mesmo é liberdade" (ROUSSEAU, 1999, p. 32).
Outro aspecto presente na música é a defesa da inclusão social. A canção transmite a ideia de uma sociedade em que todos tenham oportunidades de participar da vida pública e de exercer plenamente sua cidadania. Para Rousseau, a igualdade é condição indispensável para a liberdade política, pois as desigualdades excessivas comprometem o exercício da vontade geral. Dessa forma, a participação efetiva somente ocorre quando todos possuem condições de exercer seus direitos em igualdade de oportunidades.
Além disso, a obra de Milton Nascimento transmite esperança na capacidade coletiva de transformar a realidade por meio da união, da solidariedade e da participação democrática. Essa perspectiva aproxima-se da concepção rousseauniana de contrato social, segundo a qual cada cidadão integra o corpo político e participa da construção das decisões coletivas, fortalecendo a democracia e o bem comum.
A canção também permite refletir sobre a cidadania como prática cotidiana. Mais do que votar, ser cidadão significa participar das decisões públicas, defender direitos, respeitar as diferenças e contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva. Esses valores são coerentes com a filosofia política de Rousseau, que compreende o cidadão como sujeito ativo na construção do Estado e da vida em comunidade.
Conclui-se que “Coração Civil” expressa valores compatíveis com o pensamento de Jean-Jacques Rousseau ao destacar a soberania popular, a participação política, a igualdade e a inclusão social como fundamentos da democracia. A música evidencia que a construção de uma sociedade democrática depende do compromisso permanente dos cidadãos com o bem comum, a justiça social e a participação coletiva.
Referências
NASCIMENTO, Milton. Coração Civil. Intérprete: Milton Nascimento. In: Milton Nascimento. Rio de Janeiro: Ariola, 1981.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. Tradução de Lourdes Santos Machado. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Coleção Os Pensadores).
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